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Foi assim que Jorge Silva Melo abriu as portas do Teatro do Bairro Alto

Foi assim, no programa de Pequenos Burgueses em 1975, que Jorge Silva Melo abriu as portas do Teatro do Bairro Alto, onde a Cornucópia ficaria até 2016:

“Tudo a postos para começar. Casa nova: através do MEC conseguimos in extremis (se não, onde iríamos pôr o material todo do Brecht?) utilizar o Centro de Amadores de Ballet, instalações que já antes de O Misantropo andávamos a namorar sem qualquer espécie de êxito. Fazemos um projecto para a utilização das instalações: teatro, cinema, música…
Projecto de obras imediatas e indispensáveis: acima de tudo a acústica. O ribombar dos ecos era qualquer coisa de assustador. E uma porta para trás do palco, para permitir utilizar a zona inferior ao palco, mesmo quando houver espectáculos.
(…) Não queremos que esta sala e este espectáculo tenham de passar pelo certificado de habilitações passado pelo público de “intermediários culturais” que frequenta as estreias. Pelo contrário, queremos que esta sala seja um lugar de reflexão, de confrontação de ideias, de debate ideológico. Contactámos já com dezenas de comissões de bairro, comissões de empresa, centros culturais para que, organizando vindas colectivas, o espectáculo seja colectivamente assimilado e criticado – aqui, durante o que durar, aqui, no debate que haverá sempre que for possível, no local de trabalho no dia seguinte. (…) Conseguiremos? Quem estará interessado em que o façamos? Quem em nos fechar as portas?”

Foi um dos muitos gestos inaugurais de Jorge Silva Melo, sempre tão combativo quanto brilhante e generoso, figura maior deste nosso século. O TBA envia sentidas condolências aos Artistas Unidos e a toda a gente que com ele viveu, trabalhou, discutiu, aprendeu. Estamos muito tristes.

Foi assim que Jorge Silva Melo abriu as portas do Teatro do Bairro Alto

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