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05 - 09 Abril
David Marques

Teorias da Inspiração

12€
Dança

05 - 09 Abril

5, 6, 8 e 9 abril (exceto dia 7)
terça e quarta 19h30
sexta e sábado 21h30

CLUBE ESPECTADOR
6 abril após o espetáculo na Sala Manuela Porto
Moderação: Maria Sequeira Mendes e José Maria Vieira Mendes

Dança
Preço 12€
Menores de 25 anos: 5€

Sala Principal

Classificação Etária:

M/6

De David Marques
Com David Marques, Francisco Rolo, Luís Guerra e Nina Botkay
Cenografia e luzes Tiago Cadete
Sonoplastia Miguel Lucas Mendes
Figurinos Marisa Escaleira
Olhar exterior Patrícia Milheiro
Acompanhamento à investigação Telma João Santos
Fotografias Ágata Xavier
Administração Vítor Alves Brotas | Agência 25
Coprodução Parca, Agência 25, Teatro do Bairro Alto, Chorège | CDCN Falaise Normandie (no âmbito de “acolhimento-estúdio” financiado pelo Ministério da Cultura francês) e Teatro Virgínia
Apoios Escola Superior de Dança – Instituto Politécnico de Lisboa, Estúdio ACCCA | Companhia Clara Andermatt, Estúdios Victor Córdon, Espaço do Tempo com Pro.Dança, Junta de Freguesia do Lumiar (Cultura), Polo Cultural Gaivotas | Boavista – Câmara Municipal de Lisboa e Teatro da Voz
Agradecimentos Ana Filipa Amaro, Ângela Marques, Helena Azevedo, João Canais, Loïc Touzé, Marta Tomé, Nuno Pinheiro e Susana Gaspar

 

O TBA fica junto ao Largo do Rato.

Condições de acesso

  • O uso de máscara é obrigatório antes, durante e depois da sessão.
  • Solicitamos que desinfete as mãos à entrada e adote as medidas de etiqueta respiratória.
  • Mantenha uma distância de segurança e evite o aglomerar de pessoas.
  • Traga o seu bilhete de casa ou, caso tenha mesmo de comprar o bilhete na nossa bilheteira, escolha o pagamento contactless por cartão de débito ou MBway.
  • Nas entradas e saídas, siga as recomendações da equipa do TBA.

David Marques (Torres Novas, 1985) iniciou a prática de dança aos cinco anos com Helena Azevedo. Estudou na Escola Superior de Dança – IPL em Lisboa e participou na formação exerce do Centre Chorégraphique National de Montpellier como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Frequenta, atualmente, o mestrado em Estética e Estudos Artísticos – Arte e Culturas Políticas da NOVA FCSH.

Começou a desenvolver o seu trabalho como coreógrafo com o apoio da EIRA, em Lisboa, que prosseguiu nos períodos em que viveu em França e em Israel. Tem criado peças para palco e colaborado com artistas como Ido Feder, Tiago Cadete, Teresa Silva e Diogo Brito para o desenvolvimento de projetos artísticos em vários suportes e plataformas. Para além da sua atividade como intérprete com autores como Loïc Touzé, David Wampach, Francisco Camacho, Filipa Francisco, Lucie Tuma, Raquel Castro, Tiago Vieira e Emily Wardill, tem acompanhado projetos de outros artistas como olhar exterior. Propõe regularmente laboratórios no âmbito dos seus projetos para a cena. No seu trabalho, tem abordado a multidimensionalidade das relações entre atenção, memória e corpo, procurando espaços relacionais improváveis para desafiar temporalidades reconhecíveis. Recebeu o Prémio Autores SPA para Coreografia com a sua peça Mistério da Cultura.

“… dar tempo para perceber a dança em que estamos”
David Marques

 

Teorias da Inspiração desenrola-se numa confluência de conceitos que o próprio título evoca: as teorias da conspiração, a inspiração – artística e como parte do processo respiratório – a memória enquanto elemento que nos permite desvendar, ocultar e reformular novas teorias, e a reflexão sobre o que pode ser uma teoria. A relação entre a memória e a inspiração artística estabelece-se a partir da inscrição de uma outra relação: a memória pessoal de David Marques em torno da primeira peça de dança contemporânea que viu em criança e a efabulação dessa memória, construída ao longo dos anos.

O que é uma teoria? Em ciência, um resultado teórico é construído a partir de uma conjetura inicial – uma afirmação que acreditamos ser verdadeira, mas que ainda não foi possível provar que o é, utilizando as ferramentas científicas reconhecidas como válidas. As conjeturas, sendo ou não demonstráveis, são importantíssimas no contexto do desenvolvimento das ideias – é o lugar entre o imaginário e o concreto –, mas que nas últimas décadas se tem transformado numa problemática com contornos menos fáceis de formular: muitas conjeturas surgem como possibilidades teóricas não demonstráveis e cuja origem é, ela própria, duvidosa na forma como se apresenta.

As teorias da conspiração. A conspiração é definida como um encontro secreto entre duas ou mais pessoas com algum fim. Este encontro pode ter sentidos muito distintos: pode ser para encontrar formas de combater sistemas políticos autocráticos ou para encontrar forma de libertar alguém de uma situação difícil, pode ser também uma força de expressão para explicar o ato de pensar ou de tentar resolver um problema, mas pode ser também para criar formas de manipulação do outro a partir da falsificação de algum momento na construção de uma teoria.

A relação estabelecida entre a cenografia e luz, os intérpretes e o público transporta em si uma característica conspirativa: a forma como os elementos cénicos e os intérpretes se relacionam vai-se metamorfoseando em pequenas conspirações, memórias, corpos que re-aprendem a existir, a resistir, a projetar-se e a multiplicar-se, de conjetura em conjetura. Cada conjetura, ou aspirante a teorema, é analisada, configurada, desencaixada, permanecendo um rasto que é levado até à próxima conjetura. Um conjunto de possíveis teoremas em torno da relação memória-inspiração-conspiração que propõem um tempo e uma suspensão que nos atravessa de forma subtilmente avassaladora – teorias da inspiração.

Teorias da Inspiração respira o tempo da subtileza por entre mo(vi)mentos [quase-(in)]visíveis, permite-se a atenção cerimonial perante o inesperado, revela a construção de pedaços de memória, mito, e propõe um encontro singular por entre tempo, atenção, cuidado e espanto com o público. Ao longo da criação desta peça, várias perguntas foram-se também elas, revelando conjeturas ou conspirações:

 

Qual a relação do corpo da/na dança e a dança
e quais as danças que o atravessam?

Como configurar possibilidades
inesperadas entre corpos e temporalidades que permitam um
encontro com um imaginário poético?

Como formular uma configuração para as várias
dimensões do conceito de imagem enquanto sujeito?

 

Estas perguntas, que podem também ser pensadas como proposições instigadoras, não estão de facto separadas. Elas são interdependentes, e fazem parte de uma matriz intersubjetiva de relações entre si: que danças habitam uma memória específica de David, como elas são reformuladas numa negociação entre mito e memória, como são transmitidas e traduzidas e em que configurações, qual o tempo que é permitido a cada dança, a cada corpo da dança, na dança, para perceber e se encontrar com a dança em que está, quais respirações e inspirações se tornam movimento visível, quais os graus de visibilidade destas.

 

vivemos rodeados de intenções, sentimentos e pensamentos de outros que interagem com os nossos, de tal forma que começa a desvanecer-se a noção do que é nosso e do que pertence aos outros… E os nossos pensamentos são co-criados em diálogo, mesmo que seja apenas connosco mesmos… A nossa vida mental é co-criada. Este contínuo diálogo co-criativo com outras mentes é aquilo a que chamo matriz intersubjectiva.

(Daniel N. Stern, O Momento Presente na Psicoterapia e na Vida de Todos os Dias, p. 91).

 

Existe uma variedade enorme de coisas que são nomeadas imagens, desde pinturas, estátuas, ilusões óticas, mapas, diagramas, sonhos, alucinações, espetáculos, projeções, poemas, padrões, memórias, e até ideias, bem como a enorme diversidade desta lista parece tornar impossível qualquer entendimento unificado ou sistemático. No entanto, o facto de chamar a todas estas coisas de imagem não significa necessariamente que todas elas tenham algo em comum. No contexto da criação em dança, é inevitável pensar as imagens como imagens em movimento, independentemente da sua origem ou categoria, tendo como aspeto central a noção de escrita ou partitura, mais ou menos estruturada e/ou improvisada. Em Teorias da Inspiração, acrescentam-se camadas de projeções de imagens que, através de um elemento cénico, trazem um outro corpo para o espaço do teatro no encontro com o público, conspirando relações e ambiguidades.
Uma peça de dança – poema de pequenas conspirações, tratadas com o rigor de uma estrofe, em que a memória é trazida num abraço de cuidado e inscrição. Como num poema, encontramos múltiplas camadas de lugares, sentidos e possibilidades. Como num poema, construimos individualmente essas camadas e permitimos a multiplicidade de leituras e afetos.

 

Telma João Santos, artista e investigadora
(participou no processo de investigação para a criação de Teorias da Inspiração)

Inspiração. Julho, 1992 – no Teatro Virgínia, em Torres Novas, apresentava-se o espetáculo que marcava o fim do ano letivo da escola de dança onde tinha acabado de entrar. Sentado na plateia, com seis anos, não podia imaginar quanto aquela peça encheria os pulmões do meu trabalho coreográfico.

Expiração. Ao procurar a cassete VHS onde o tinha gravado, percebi que ela tinha desaparecido. Sem o registo vídeo, abria-se espaço para um exercício de rememoração e especulação.

Conspiração. Numa conversa recente com a professora de dança Helena Azevedo apercebi-me que Mulher Traço Variações tinha sido criado com o intuito de agradar ao público torrejano que, no ano anterior, teria abandonado a sala insatisfeito durante a apresentação das alunas. Para minha surpresa, o espetáculo-inspiração de 1992 aparecia-me agora, não como um projeto vanguardista, mas antes como um gesto de aproximação, obrigando-me a questionar a minha própria mitologia.

                                      David Marques

 

Num labirinto de espelhos e sopros, Teorias da Inspiração semeia uma ficção conspirativa sobre estes espetáculos sem rasto reativados agora pela memória e pela imaginação.

Depois do reconhecimento dado às suas últimas criações (Mistério da Cultura, que passou pelo TBA, recebeu o Prémio Autores 2020 da SPA para Melhor Coreografia e Dança sem Vergonha foi considerado pelo jornal Expresso um dos espetáculos de 2020), o coreógrafo David Marques traz-nos agora a sua nova peça de grupo.

 

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