logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo
Teatro do Bairro Alto Teatro do Bairro Alto Teatro do Bairro Alto Teatro do Bairro Alto Teatro do Bairro Alto Teatro do Bairro Alto Teatro do Bairro Alto Teatro do Bairro Alto Teatro do Bairro Alto Teatro do Bairro Alto
arrow-left arrow-left
Gob Squad
Super Night Shot
07 - 09 Novembro
Teatro
Gob Squad
Super Night Shot
07 - 09 Novembro
Teatro
Gob Squad
Super Night Shot
07 - 09 Novembro
Teatro
Gob Squad
Super Night Shot
07 - 09 Novembro
Teatro
07 - 09 Novembro
Gob Squad

Super Night Shot

12€
Teatro

07 - 09 Novembro

Quinta-feira 19h

Sexta-feira e sábado 21h30

Em inglês sem legendagem

Teatro
Preço 12€
Menores de 25 anos 5€
Sala Principal
Duração 60 min.

Classificação Etária:

M/16

Conceito Gob Squad
Criado por Johanna Freiburg, Sean Patten, Elyce Semenec, Berit Stumpf, Sarah Thom, Bastian Trost e Simon Will
interpretado nas ruas de Lisboa por: Sean Patten, Sarah Thom, Bastian Trost e Simon Will
Desenho de som Sebastian Bark e Jeff McGrory
Produção executiva Eva Hartmann

Assistência de produção Nina Tecklenburg
Coprodução Volksbühne am Rosa-Luxemburg-Platz com apoio de Arts Council of England East Midlands

Apoio à apresentação em Lisboa Goethe-Institut Portugal e Associação São Bartolomeu dos Alemães em Lisboa

Robin Arthur assiste a Super Night Shot

OK, é mais ou menos assim: eles são quatro e um deles é o Herói (embora mais tarde decida ser o Vilão), um faz a répérage, um faz a publicidade e o outro o casting, e começa tudo no final, quando estamos no bar antes de o espetáculo ter começado verdadeiramente, e nos dão foguetes e serpentinas e nos pedem para receber os performers de volta ao teatro. E nós acenamos-lhes quando eles passam pelo bar e desaparecem para dentro do teatro.
Sentamo-nos e à nossa frente está um ecrã dividido em quatro partes, iluminam-se e há muita conversa confusa, umas pessoas parecem estar a preparar-se para fazer alguma coisa e outras parecem um bocado nervosas, e a dada altura dizem todos algo como “Sincronizar relógios”, embora na verdade acho que dizem outra coisa qualquer, mas a ideia é essa.

E depois começa.

Ou pelo menos o que eu quero dizer é que depois começa o bocado que está no centro da peça, porque claro que já tudo começou lá atrás no bar com o bocado que vai revelar-se ser o final. E começa com eles todos a saírem do teatro, e as câmaras estão na maior parte viradas para o chão e balançam muito, mas se conhecermos a sala reconhecemos que estão a sair em direção à Kastanienallee, embora claro que não tem de ser lá, podia ser noutro lugar, mas esta noite (que é uma noite fria, a porra de uma noite fria em Berlim em dezembro), é aí que eles estão. Na minha cabeça é um bocado confuso o que acontece a seguir, mas tenho a certeza de que se separam. Já não estão todos próximos uns dos outros, e as câmaras deixam de apontar apenas para o chão mas para cima, para os protagonistas:

  1. O Simon é o Herói que vai ter com as pessoas e lhes pergunta se têm algo heroico que gostavam que ele fizesse, e uma pessoa deixa que ele a carregue a atravessar a rua.
  2. O Sean Faz a répérage e passeia-se por muitas vielas mal-iluminadas queixando-se de que não são o sítio certo.

3. A Sarah/Berit? é a Assessora de Imprensa, colando poster com a cara do Simon, e anunciando a aparição de um herói às pessoas que a olham perplexas.

4. A Elyce é a Diretora de Casting que tenta convencer as pessoas que elas gostariam de entrar num filme, e não está a ter muita sorte, e acaba por ficar tão frustrada que acaba por parar um tipo de bicicleta com um ar bastante confuso e lhe pede uma boleia, e ele sem grande convicção aceita, embora pareça um bocado preocupado quando lhe pergunta “Para onde?”, e ela responde “Para qualquer lado”.

Estou a ser levado facilmente para a frente e para trás entre estas narrativas graças à forma como o som está a ser montado, e sinto-me como se me tivessem convidado para um lugar muito estranho, embora ainda seja em grande parte reconhecível como a área à volta de Kastanienallee. A Elyce está a tentar explicar ao tipo da bicicleta que gostava que ele entrasse num filme que ela está a fazer, e que ele teria de beijar alguém, e ele fica um bocadinho desapontado quando ela explica que esse alguém não vai ser ela. A qualidade alucinatória aumenta mais um pouco quando todos os ecrãs começam a mostrar a mesma imagem, da mesma ação, ou mais precisamente, nos quatro ecrãs as câmaras estão a girar em torno dos protagonistas, que estão parados no meio da imagem, e por esta altura a peça vai para outro sítio, porque agora percebe-se que embora ela esteja apaixonada pelos acontecimentos aleatórios da cidade noturna, é também uma espécie de dança, uma simetria estranhamente imposta, em que ao encontro fortuito é dada uma forma e uma consequência. Lembro-me estranhamente do Sonho de uma Noite de Verão, embora, claro, isto seja uma noite de inverno, e as florestas nos arredores de Atenas tenham sido substituídas pelas ruas de Prenzlauer Berg. E enquanto vemos estas quatro câmaras a girar somos felizes. Às vezes ainda se consegue sentir isto naquilo a que persisto em chamar teatro.

Continua:

  1. O Simon rejeita o papel de Herói e adota o de Vilão. “A internet acabou”, grita num cibercafé, “Porque é que não vão para a rua e falam com pessoas reais?” — “Porque o mês passado gastei $700 em telefonemas para casa”, responde um cliente chateado.

2. A Elyce está a conversar com o seu ciclista no apartamento dele. Ele parece começar a aceitar a ideia de poder fazer esta coisa do filme.
3. A Berit está num elétrico, a avisar as pessoas para não se aproximarem do vilão Simon. As pessoas têm um ar um pouco desconcertado.
4. O Sean pôs uma máscara de lobo e está a uivar. (Isto aconteceu mesmo ou estou a inventar?)

Há uma espécie de ameaça no ar. Fico progressivamente preocupado com a hipótese de esta peça acabar com algum tipo de violência (quer dizer, será mesmo sensato ir para o apartamento de alguém que não se conhece de todo? Quando é que alguém vai dar um soco ao Simon? Que raio anda o Sean a fazer? Com que frequência se pode berrar às pessoas no elétrico antes de um cidadão consciencioso ligar à polícia?). E é nesta altura que o mecanismo por trás da peça entra em ação, que a forma se afirma e damos por nós a ser puxados para longe do abismo.

O momento por que estávamos à espera durante toda a peça aconteceu, e de muitas formas não é grande coisa — um homem beija outro homem com uma máscara de coelho. De outras formas parece uma epifania — um momento para lá do tempo, a construção de algo a partir de nada, o triunfo de um tipo persistente de esperança sobre a ríspida adversidade. Como um mau contador de piadas fico com a mesma frase — “Tinhas de lá estar para entender”. Não é afinal uma coisa assim tão má de se dizer sobre um espetáculo, algo ao vivo, algo que não é redutível a um texto.

E depois há o rescaldo. Empilham-se corpos num carro. Há algo que ameaça ser um acidente final, mas é posto de parte, e finalmente os performers entram no bar para a sua receção merecidamente triunfante. E olhas mesmo. Olhas mesmo para Ver se estás ali naquele grupo de gente a acenar com foguetes e a atirar serpentinas, só para ter a certeza de que não houve truques, que esta hora foi uma hora verdadeira, e claro que te vês no ecrã.

Tarkovski chamou à sua autobiografia crítica Esculpir o Tempo, e lembrei-me constantemente desta expressão durante Super Night Shot. Um pedaço de tempo esculpido e conseguido. Mas o tempo é um meio efémero, e a memória é fraco papel. Isto foi Super Night Shot, a desaparecer devagar na minha mente, mas estranhamente ainda presente, e destinado a aí permanecer a minha vida inteira.

Excerto de The Making of a Memory: 10 years of Gob Squad remembered in words and pictures

Super Night Shot é um filme para vários ecrãs que é projetado apenas uma vez. A rodagem começa exatamente uma hora antes da chegada do público ao teatro, quando os Gob Squad partem cidade fora de câmaras na mão. A sua causa é a guerra ao anonimato, têm as câmaras como arma e a sua missão é produzir um momento de pura emoção e paixão. Há quatro performers que documentam individualmente o que lhes acontece, sem cortes nem montagem. As ruas da cidade transformam-se num décor onde beatas de cigarro, graffiti, carros e edifícios servem de adereços e cenários, enquanto as pessoas na rua se convertem em potenciais amantes, libertadoras ou amigos. Este é o filme das suas vidas.

 

Gob Squad é um monstro de sete cabeças, um coletivo artístico com sete patrões. Hermafrodita, binacional e bilingue, tanto uma família feita de retalhos quanto uma utopia social. Gob Squad tem criado, encenado e interpretado em conjunto desde 1994, trabalhando na intersecção do teatro, da arte, dos média e da vida real. Procuram esgravatar por baixo da superfície brilhante e pixelada do século XXI em busca das esquinas escuras e dos desejos escondidos da cultura contemporânea. Criaram, entre outros, Super Night Shot (2003), Gob Squad’s Kitchen (2007), Before Your Very Eyes (2011), Western Society (2013) e Creation (Pictures for Dorian) (2018).

 

 

Inserido no Festival Temps d’Images Lisboa 2019

 

Eventos Relacionados Eventos Relacionados Eventos Relacionados Eventos Relacionados
Material Relacionado Material Relacionado Material Relacionado Material Relacionado
Este teatro tem esta newsletter Este teatro tem esta newsletter