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Shannon Jackson
Public Servants: Art and the crisis of the common good
08 Novembro
Discurso
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08 Novembro
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Shannon Jackson

Public Servants: Art and the crisis of the common good

Entrada livre (sujeita à lotação da sala)
Discurso

08 Novembro

Sexta-feira 18h30

Streaming disponível no próprio dia em teatrodobairroalto.pt
Em inglês

Discurso
Preço Entrada livre (sujeita à lotação da sala)
Sala Manuela Porto
Duração 120 min.

Organização Paula Caspão/Centro de Estudos de Teatro FLUL com o apoio da Casa-Atelier Vieira da Silva e FLAD-Fundação Luso-Americana P/O Desenvolvimento

Comité Científico Peripatético Paula Caspão, Ana Pais

Esta conferência tem lugar no seguimento de um workshop de dois dias na Casa-Atelier Vieira da SIlva e integra o ciclo Expanded Practices All Over, um espaço de reflexão coletiva em torno da diversificação dos usos da expressão “práticas expandidas” nas artes e humanidades ao longo da última década.

Shannon Jackson é Vice-Reitora Associada da Escola de Artes e Design da Universidade da Califórnia / UC Berkeley, onde é igualmente directora do departamento de Retórica e de Estudos de Teatro, Dança e Performance. A pesquisa de Jackson visa as colaborações entre formas de arte visual, de performance e arte multimédia, a par com o papel das artes nas instituições sociais e na produção de transformações sociais.

 

Working Publics

Analisar práticas sociais significa ir ao encontro de uma ampla série de orientações políticas e preocupações sociais, frequentemente variáveis no seu “ativismo” ou na sua vontade de “fazer o bem”. […] Interessa-me principalmente situar estes debates em torno do social no contexto dos debates – do século XX ao século XXI – sobre sistemas sociais de governo e cuidado das pessoas, especialmente à luz do avanço do que viemos a chamar neoliberalismo numa era de globalização. Quando um número crescente de pessoas na academia e na política discutem a atual relevância dos modelos de proteção do Estado, quando os conceitos neoliberais de subjetividade promovem modelos de pessoa autónoma “livre” desses sistemas, é a própria natureza do “social” que se transforma em território de disputa. A União Europeia debate o futuro do Estado Social; o mundo assiste enquanto a China mistura governo socialista com economia capitalista; os Estados Unidos da América reconhecem e depois negam o papel da assistência do Estado no pós-furação Katrina, e o mesmo se passa nos nossos debates sobre saúde, derrames de petróleo ou educação pública. Nestas e noutras conversas, locais, nacionais e internacionais, os vários interlocutores discutem as possibilidades e os perigos na sustentação de modelos de interdependência em coletividades humanas. Como muitos de nós em Estudos de Performance, procuro analisar os efeitos de estruturas neoliberais que são ao mesmo tempo materiais e mentais. Em particular, procuro entender o modo como os modelos neoliberais, individuais e autónomos de “liberdade” podem paradoxalmente ser abraçados pela sua radicalidade – um paradoxo que artistas e intelectuais acabam talvez a perpetuar, ainda que contra a sua vontade, em certos discursos de um ativismo artístico-político.

Em resumo, se o nosso foco principal está na disrupção do sistema ou em estabelecermos a nossa atividade fora dele, que lugar nos resta para imaginarmos novas formas de ligação sistémica e governo democrático? O que me preocupa é que uma retórica anti-institucional automático limite a nossa capacidade de responder a esta questão. Por esta razão, interessam-me mais as práticas sociais que são capazes de provocar uma reflexão sobre a não-autonomia dos seres humanos, projetos que imaginam formas de agir (agency) não apenas enquanto disrupção do Sistema, mas também enquanto relação sistémica. Através de projetos de arte social que nos fazem refletir sobre as vantagens e os inconvenientes da nossa co dependência relativamente a sistemas de trabalho, ecologia, capacidades do corpo e acessibilidade, assistência social, infraestruturas públicas, parentalidade, etc., o trabalho artístico em sentido expandido poderia induzir uma espécie de “viragem institucional” – isto é, um reconhecimento dos sistemas interdependentes de suporte que sustêm os seres humanos, mesmo quando tantas vezes nos sentimos constrangidos por eles.

No meu projeto separei, algo artificialmente, as dimensões estética e social, apenas para dar um sentido mais preciso do modo como estas se combinam. Na verdade, interessam-me lugares em que as questões de contingência social se encontram com questões de contingência estética. Mais especificamente, tenho esperança que uma definição lata de “suporte” e da sua terminologia associada seja capaz de aproximar questões do domínio tanto estético como social; daí o termo “suporte” e os seus sinónimos terem ganhado, para mim, uma ressonância tão precisa. Com efeito, a exposição do “suporte” tem uma história na estética do século XX. Na história da arte visual, encontramo-la no interesse de Duchamp em chamar a atenção para o dispositivo de suporte do museu, como a encontramos nas tentativas do minimalismo de chamar a atenção para o dispositivo de suporte que são as molduras na pintura, ou para os pedestais na escultura e, de modo mais intrigante, para a relação de suporte mútuo e interdependência entre o objecto artístico e o seu recetor. A exposição do suporte na história da arte visual tem o seu paralelo na história do teatro. Para Brecht, o teatro tornou-se uma arena de reflexão social no momento em que o dispositivo teatral foi exposto; o debate sobre as estruturas que suportam a sociedade teve lugar num teatro que era explícito sobre a sua interdependência relativamente aos seus próprios dispositivos de suporte – sistemas de luz, bastidores, técnicos de cena.

Este interesse estético no suporte ressoa com a etimologia do termo e com a relação tímida que a teoria social tem com o termo e os seus sinónimos. “Suporte” remete, na sua história etimológica, para “carregar, aguentar, suster” […]. Em definições tardias, encontramos: “A ação de impedir a queda, a exaustão ou a morte; especificamente, a provisão de uma coisa viva com o necessário à sua subsistência; a manutenção da vida”. Na medida em que aumenta a possibilidade senciente no que é sustentado, torna-se necessário considerar uma variedade de ações de suporte para além das que compensam literalmente a ação da gravidade. O suporte aqui não está apenas “montado por baixo”, mas é também imaginado em movimento e numa relação lateral. Esta expansão lateralizada e dinâmica das ações de suporte é necessária para sustentar uma entidade que parece agora, e para todos os efeitos, “viver”.

excerto de Shannon Jackson, “Working Publics”, Performance Research 16 (2), pp.8-13, Taylor and Francis Ltd 2011. Tradução de Nuno Leão.

O que queremos dizer quando fazemos referência ao neoliberalismo?

É bem possível que o referente mude quando consideramos sectores distintos – o urbano, o financeiro, o político, o cultural. Mais concretamente, como entender o papel das artes, a um tempo capazes de resistir às tendências neoliberais mas também de as reforçar? Fará sentido falar no valor público da arte, num momento em que as instituições públicas estão a ser desmanteladas? Devemos considerar a “viragem participativa” na arte e na performance contemporâneas como sinal de um renovado compromisso com a assembleia democrática, ou como sinal de capitulação face a uma economia de serviço pósfordista?

Esta conferência aborda críticas contemporâneas ao neoliberalismo, a par com um conjunto de “práticas expandidas” que procuram superar e contrariar as formações do capitalismo tardio. Desenrolando-se ao longo de dez proposições – ou cinco antinomias –, a conferência expõe a dificuldade de determinar se a actual ‘expansão’ da prática da performance é de facto resistente ou insidiosamente sintomática da expansão neoliberal. No caminho, Jackson inclui histórias e exemplos do contexto de Lisboa, que contribuirão para aprofundar a exploração desta problemática e reconhecer a complexidade da prática artística na era do dito neoliberalismo.

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