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14 Janeiro
Athena Farrokhzad com Alejandro Urrutia, Letícia Larín, Nuno Marques e Joana Bagulho

Práticas de Leitura: Suite em Branco

Entrada livre (sujeita à lotação)
Discurso
Práticas de leitura

14 Janeiro

sábado 16h

Em inglês

Discurso
Práticas de leitura
Preço Entrada livre (sujeita à lotação) mediante levantamento prévio de bilhete (máximo de 2 por pessoa) na bilheteira no próprio dia a partir das 15h
Sala Manuela Porto
Duração 2h

Apoio
Environmental Humanities Laboratory (KTH, Estocolmo), Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Embaixada da Suécia em Lisboa, e Swedish Arts Council

Contrariamente ao que foi anunciado, Nuno Moura não poderá estar presente, sendo substituído por Joana Bagulho, editora da Douda Correria.

Práticas de Leitura são encontros de regularidade incerta em torno de publicações entusiasmantes porque urgentes, interessantes, desarmantes ou prementes, autoeditadas ou não. Nestes encontros, trata-se de ler e conversar sobre o que se lê. Alguns encontros contam com a presença de quem escreveu e editou.

Como nasceu a ideia de editar este livro? Porquê?
O poema é uma longa conversa, ou várias conversas entre a poeta Athena Farrokhzad e a sua família que sendo do Irão se viram obrigados a viver na Suécia. Quisemos relacionar essa voz com a língua portuguesa. O poema tem uma dimensão performativa – já foi levado a cena por duas vezes na Suécia – e visual – com as falas manchadas por um fundo negro – que se relaciona com a linha editorial da Douda Correria. É um poema forte, duro e terno, sobre relações, línguas. As vozes, as mãos, são violentas e ternas. Os poetas e tradutores Alejandro Urrutia e Nuno Marques conheceram-se na Suécia numa altura em o Alejandro lia o original de Suite em Branco. A ideia de o traduzir nasceu aí, a partir de uma conversa entre os dois em 2014.

Querem apresentar-nos a autora?
Athena Farrokhzad nasceu no Irão em 1983. É poeta, dramaturga, tradutora e feminista sueca de origem iraniana. É uma das vozes mais importante no debate social escandinavo. A sua família fugiu da guerra Irão-Iraque para a Suécia nos anos oitenta. O seu primeiro poemário Suite em Branco (Vitsvit) publicado em 2013 está traduzido em 15 línguas, incluindo agora em Português Europeu. Farrokhzad também publicou duas antologias, Manualen com Tova Gerrge e Ett tunt underlag com o grupo de poesia G=T=B=R=G, ambas em 2009. Foi editora da colecção de poesia queer Omslag com Linn Hansén e organizou os eventos literários Queerlitt, Demafor e o World Poetry Day. A colecção Trado, que escreveu com a poetisa romena Svetlana Cârstean, foi publicada em 2016, seguida dos poemas Brev till Europa (Carta à Europa) em 2018; I Rörelse (Em Movimento) em 2019; e Åsnans År (O Ano do Burro) em 2022. É também crítica literária do jornal sueco Aftonbladet.

Quanto tempo demoraram? Quais as principais decisões até ao livro que aqui temos?
A principal decisão foi a do Nuno Moura, editor da Douda Correria, dizer sim à tradução. Entre a ideia e o fazer demorámos sete anos. O processo é interessante e pouco prático: o Alejandro traduziu do sueco para o espanhol, um espanhol do Chile; o Nuno traduziu do inglês para o português. Depois cruzámos as traduções, misturámos textos, lemos em conjunto com a Athena, acabámos neste processo por articular uma língua nova necessária à tradução, ou melhor, essa língua é a tradução. Assim, este texto em português é uma conversa de línguas. Neste processo, a principal decisão foi confiar na imaginação e nas línguas umas das outras. Outra decisão importante foi a da Letícia Larín ter aceitado o convite para o trabalho da capa. Uma outra decisão: o espaçamento entre as linhas feito pela designer Joana Pires e todo o trabalho gráfico, porque intencionalmente participa no ritmo e na estrutura do poema, e é particularmente importante para a preposição política do mesmo: os espaços do fundo branco entre as linhas a negro onde se fala uma fala em branco. Como escreve o Alejandro: um discurso poético sobre um fundo negro sobre o fundo branco do livro.

Que mais poderia ter cabido?
Uma pequena reflexão sobre este processo de tradução que não cabendo no livro coube oportunamente aqui nesta discussão no TBA.

O que se segue?
Esperamos que o poema seja lido! Que se reconheça a importância cada vez mais abrangente das editoras independentes em Portugal, tanto a Douda Correria como as suas pares.

Que comentários esperam ter?
Os comentários são todos bem-vindos para a conversa começar.

Onde vão distribuir?
O livro estará à venda nas livrarias da Rede de Livrarias Independentes (RELI) como a Poesia Incompleta, a Tigre de Papel, ou a Snob em Lisboa, e outras. Também pode ser pedido diretamente à Douda Correria através do email doudacorreria107@gmail.com

 

 

O lançamento de Suite em Branco da poeta sueca-iraniana Athena Farrokhzad, editado pela Douda Correria, serve de mote a este Práticas de Leitura. Em conversa com a autora e a equipa responsável pela tradução e edição, vamos ler e comentar o poema e temas como a opressão iraniana das mulheres e questões de identidade e tradução que nascem de migrações forçadas. Como se fala na língua de outro? Quem escuta? O que é entendido? O que se perde da nossa língua? O que traímos?
O poema conta a história de uma família de refugiados. O tema é a branquitude, sobre o fundo dos discursos pós-coloniais, das ideias do subalterno e do deslocamento de milhões de pessoas. Numa linha discursiva negra sobre um fundo textual branco: uma história negra em branco.

ATHENA FARROKHZAD é uma poeta, dramaturga, tradutora e crítica literária sueca nascida em Teerão. Atualmente, é curadora para a área da literatura da Kulturhuset de Estocolmo. Publicou em 2013 o seu primeiro livro de poesia, Vitsvit (Suite em Branco), traduzido em quinze línguas.

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