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23 - 24 Setembro
Cristian Duarte

Ó – Um dispositivo de dança

12 eur
Dança

23 - 24 Setembro

sexta e sábado 19h30

Por questões de segurança, é desaconselhável a entrada de menores de 12 anos mesmo que acompanhados pelos seus responsáveis legais)

Dança
Preço 12 eur
Menores de 25 anos: 5 eur

Sala Principal
Duração 60min

Classificação Etária:

M/12

Uma produção Cristian Duarte em Z0NA
Coreografia Cristian Duarte
Dança Aline Bonamin e Felipe Stocco
Composição musical Tom Monteiro
Luz André Boll
Fotografia Haroldo Saboia e Renato Mangolin
Coprodução 2022 Aline Bonamin, André Boll, Cristian Duarte e Felipe Stocco
Apoio Casa do Povo
Produção-difusão BONOBOS produções artísticas

Créditos estendidos da criação/2016:
Cocriação e Coprodução Cristian Duarte em companhia de Aline Bonamin, Bruno Levorin, Felipe Stocco e Tom Monteiro
Concepção e Produção de Figurinos Aline Bonamin, Bruno Levorin, Cristian Duarte e Felipe Stocco
Consultoria de Figurino
Daniel Lie
Assistência de Dramaturgia e Coreografia Bruno Levorin
Vibração Rafaële Giovanola
Provocação Thiago Granato
Fotografia Haroldo Saboia
Cooperação com CocoonDance (Bonn)
Coprodução Théâtre du Crochetan Monthey, Theatre im Ballsaal Bonn, CocoonDance
Apoio Lote#4 – 17.ª Edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo, Lote#5 – 21.ª Edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo, Goethe Institut São Paulo, Casa do Povo , Ministerium für Familie, Kinder, Jugend, Kultur und Sport des Landes Nordrhein-Westfalen, Kunststiftung NRW, Bundesstadt Bonn and Théâtre-ProValais, Le Conseil de la Culture Etat du Valais, La Loterie Romande.

Apresentação em colaboração com o festival Linha de Fuga, em Coimbra, no dia 17 setembro.

O coreógrafo Cristian Duarte é um artista paulistano com mais de 25 anos de prática. Na sua formação inclui o Estúdio e Cia Nova Dança em São Paulo e graduação na P.A.R.T.S. (Performing Arts, Research and Training Studios) em Bruxelas. A sua prática artística tem sido marcada pela criação de contextos para experimentação e formação em dança como APT?, DESABA e LOTE/Z0NA. Foi professor convidado pela P.A.R.T.S. (Bruxelas), plataforma SICW – Seoul International Choreography Workshop (Seul), DOCH/SKH – Stockholm University of the Arts (Estocolmo). Coreografou para Transitions Dance Company no Laban Center (Londres) e para o Cullberg Ballet (Estocolmo).

A sua produção tem sido reconhecida pelos principais prémios de dança no Brasil e apresentada internacionalmente em países como Alemanha, Argentina, Bélgica, Chile, Cingapura, Espanha, Holanda, França, Inglaterra, Portugal, Uruguay e Suécia. Foi um dos curadores das Ações Artísticas da Bienal Sesc de Dança 2019.

Entre os seus trabalhos estão: Despedançada (2021), Zoomzz (2021)Já Está (2020), Home100 (2020), Hack100 – Um pano de fundo (Audiovisual/2020), Let It All Out (2018), O que realmente está acontecendo quando algo  acontece? (2017), Ó (2016), Against the Current, Glow para o Cullberg Ballet de Estocolmo (2015), Biomashup (2014), Jamzz (2012), The Hot One Hundred Choreographers (2011) e Médelei – eu sou brasileiro (etc) e não existo nunca (2006).

Como aqueles corpos sensibilizam o meu corpo? Como eles me convocam a existir naquele espaço? O que acontece dentro de mim que me destina à margem ou ao centro? Como aquela repetição me convoca a estar presente? […] Quanta força há naqueles olhares? Quantas coisas aconteciam aqui dentro quando os olhos se cruzavam? Quantos mundos habitaram aquele mundo? Rolando, os corpos moviam quais ventos? Se nós não estivéssemos ali, quais obstáculos aqueles corpos enfrentariam? O choque gera o quê em mim e neles? Eu evito, desejo ou manipulo o choque? O que me acontece que no começo eu escapo e depois eu desejo que o outro se aproxime? O que acontece em nós que quando eles começam a se aproximar com mais velocidade e impacto, desejamos fugir? O que o impacto gera? O que há naquele chão que está invisível aos meus olhos? Quais os rastros que os dois deixam? Quais os obstáculos que eles enfrentam? […] E se eu também tivesse que escolher entre permanecer e encontrar ou fugir e escapar das águas espalhadas pelos choques com o balde? O que mantém aqueles corpos em movimento? O que os paralisa? Se aqueles corpos em movimento não se olham, como conseguem inundar os olhos de quem os observam? Como eles conseguem ser tão inteiros apesar do desgaste? O que eles escondem de nós que parece ser revelado quando se esparramam pelos nossos corpos? […] O que está prestes a acontecer? Para onde aquilo se desenrolará? Antes de nós, aqueles corpos já rolaram por onde? Quantas vezes? […] O que acontece ali dentro que altera o espaço por completo? Como Orfeu e Eurídice habitam aqueles corpos? Eles estão ali? O que os faz sair do chão? O que os faz parar de rolar? Como eles fazem nascer em mim essa cumplicidade antes desconhecida? Quais os corpos que no impacto com aqueles dois que rolavam modificaram o trajeto? Quais os corpos que no impacto com aqueles dois que rolavam modificaram as velocidades? Quais os corpos que no impacto com aqueles dois que rolavam paralisaram-nos? Como o som consegue construir esse espaço de cumplicidade? Quem segura as duas pontas daquele fio teso? Quando ele cai, por quanto tempo permanece o seu rastro no espaço? Enfim, parados e se olhando, por quê a distância ainda existe entre os dois? O que tenciona aquele fio? Quando as luzes se apagam, o que o som nos diz surrando aos nossos ouvidos? O fim pode ser o reinício? […] Quando as experiências são profundas e simples, elas se distanciam da espetacularização? Os aplausos são garantia de alguma coisa? Como pode aquele silêncio ser tão profundo e vibrante?

Ana Carolina Marinho, Publicação Antro+

Cada vez que apresentamos Ó em um contexto, compreendemos um pouco mais porque chamamos sua dramaturgia de tátil. Experimentamos uma conversa com cada espaço que nos acolhe. É junto dele que a criação continua a fazer perguntas para si própria, movimentando suas escolhas do passado para um presente que projeta futuros. Transforma o site em específico ao permitir que corra os riscos de qualquer encontro, seja com pessoas, lugares, coisas ou instituições. E se repousarmos nas perguntas ao invés de tentar respondê-las?

Cristian Duarte

Seguindo a sua pesquisa sobre minimalismo na dança e a sensorialidade do movimento, o coreógrafo paulista Cristian Duarte manifesta em Ó – Um dispositivo de dança, a vontade de estabelecer uma dramaturgia tátil através da incessante modulação da perceção e do afeto. Como um encontro que se estabelece entre muitas instâncias, das moleculares às mais exteriores, a peça convida o público a construir, em conjunto com as performers, um campo de empatia. Esse sentimento de que “todos podemos”, e que nos emociona com uma perspetiva estrangeira a nós, é o movimento fundamental para a peça estabelecer uma dilatação carregada de detalhes e subtilezas.

Na tentativa de se afastar do hemisfério trágico presente na narrativa grega de Orfeu – referência que ancora a obra – o olhar para trás, que o fez supostamente perder Eurídice, tornou-se o dispositivo para interrogar o tempo enquanto matéria. Todas as escolhas se deparam com encruzilhadas e escolher um mundo que compreende o gesto de olhar para trás, com todas as metáforas que isso deve e pode designar, com consciência, traz ao trabalho um movimento que apreende o futuro, próximo de uma ecologia dos afetos, e distante da frontalidade obediente incapaz de torcer os sentidos.

 

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