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05 Maio
Isabel Castro Henriques, Mamadou Ba, António Brito Guterres

Memorializar e descolonizar a cidade (pós)colonial – 1.º Encontro

Discurso
Programa Digital

05 Maio

quarta 18h

Em português e alemão com tradução simultânea
Streaming disponível no próprio dia em re-mapping.eu, teatrodobairroalto.pt e nas redes sociais
Duração: 2h

Discurso
Programa Digital
Sala Zoom do TBA
Duração 2h

Classificação Etária:

M/12

Curadoria: Goethe-Institut e Marta Lança
Imagem: Francisco Vidal / Goethe-Institut

O projeto de mapear no espaço concreto da cidade de Lisboa a presença do (pós)colonial é a vários níveis urgente. Trata-se de contribuir para aprender a reconhecer na cidade os lugares, vendo-os como não neutros, ajudando a situar o conflito na informalidade dos dias. Tanto mais exemplar é que seja levada a cabo de forma conectada, transnacional, pondo em relação cidades porto, como Lisboa e Hamburgo, lugar de encontros, trocas e cruzamentos, inquirindo o seu papel enquanto ponto nodal numa série de relações ontem coloniais, hoje menos descolonizadas do que gostaríamos.

 

Para o TBA esta iniciativa continua e prolonga uma série de reflexões sobre a cidade materialmente entendida enquanto espaço comum, terreno em conflito, lugar onde se encontram em tensão ideias de desenvolvimento e formas de vida.  Nisso, ela continua e amplifica a discussão sobre logística global (atendendo ao duplo movimento das coisas e dos trabalhadores) ocorrida em janeiro aquando das lições de Sandro Mezzadra, a série de três conversas sobre representações fotográficas da cidade (e dos seus habitantes), organizadas por Catarina Botelho e David Guéniot, ou a interrogação da arquitectura enquanto materialização de relações de poder como abordada pelos Stones Against Diamonds. Prolonga igualmente as várias conversa sobre o território que vimos acolhendo e contribuindo para que ocorram, esperando com isso potenciar um debate mais participado e informado sobre os modos como vivemos e poderíamos viver. Trata-se de reparar nos lugares onde vivemos, discutindo-os, habitando-os e alterando-os com o nosso habitar, e imaginando-os outros. O que para nós é indistinguível de uma noção de cidade, teatro municipal que somos.

Isabel Castro Henriques Professora, coordenadora científica do programa museológico do Museu da Escravatura de Lagos (2014-2016) e do programa museológico do Memorial da Escravatura e do Tráfico Negreiro de Cacheu, Guiné-Bissau (2015-2016).

Mamadou Ba. Ativista e militante anti-racista decolonial, dedicado às lutas pelos direitos humanos das pessoas racializadas e migrantes. É licenciado em Língua e Cultura Portuguesa pela Universidade Cheikh Anta Diop de Dakar, titular de Curso de Tradutor pela Universidade de Lisboa e Doutorando em Sociologia no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

António Brito Guterres Dinamizador comunitário com responsabilidades de gestão em projectos de base local e comunitária em vários territórios da Área Metropolitana de Lisboa. É também investigador no Dinâmia-Iscte/IUL.

Moderação: Marta Lança

Clique aqui para aceder à Sala Zoom do TBA: https://us02web.zoom.us/j/7723662478

 

Por ocasião do lançamento do projeto ReMapping Memories Lisboa – Hamburg: Lugares de Memória (Pós)Coloniais, organizado pelo Goethe-Institut, tem lugar uma série de discussões abertas sobre a cidade nos dias 5, 6 e 7 maio. O TBA acolhe as apresentações dos dias 5 e 7 maio na sua Sala Zoom. Consultem o website do Goethe-Institut para saber mais sobre o programa de 6 maio. Serão debatidos temas como as marcas da colonialidade na cidade e nos corpos de quem a habita, a luta anticolonial e a inscrição africana e afrodescendente no espaço metropolitano e, de modo mais global, políticas, abordagens e desafios do processo de “descolonização” nas cidades europeias. Os debates contarão com as intervenções de Isabel Castro Henriques, Mamadou Ba, António Brito Guterres, Maria Paula Meneses, Miguel Vale de Almeida e Noa K. Ha.

 

Isabel Castro Henriques – Percursos históricos dos Africanos em Lisboa (séculos XV-XX)

A longa história da presença de Africanos em Lisboa, que se iniciou de forma demograficamente significativa a partir da segunda metade do século XV, marcada pela  sua situação de escravos, deixou marcas visíveis e invisíveis no património português que a história e a memória permitem hoje  resgatar para compreender o seu processo de integração, as suas estratégias de vida e de preservação cultural, mas também a secular sedimentação de um preconceito português anti-negro, anti-africano, alicerçado no binómio físico (o Preto) e social (o Escravo), que definiu as relações luso-africanas e desenvolveu práticas discriminatórias que ainda hoje é urgente reconhecer, denunciar, eliminar. ”

 

 

Mamadou Ba – A geografia racial estrutura a relação entre estar na cidade e ser da cidade.

 A relação presença-ocupação do território por pessoas racializadas está profundamente marcada por fronteiras simbólicas e físicas que determinam o grau de pertença, o reconhecimento, o usufruto e a (auto)identificação ou não com o tecido urbano, nas suas múltiplas funcionalidades. A “linha da cor” estrutura a forma como determinados corpos habitam determinados espaços. Porque, as geografias urbanas são um complexo político a partir do qual se organiza a relação com o território, definindo quem pode ou não pertencer ao tecido coletivo e que lugar nele ocupa. As dinâmicas raciais refletem-se muito na forma como os sujeitos políticos racializados percepcionam a cidade e como são percepcionados dentro a cidade. A periferização de espaços e corpos torna-se assim um dispositivo de planeamento e governo de cidade que resulta na falta de fluidez e continuidade urbanas, acabando assim por relegar às pessoas racializadas para lugares subalternos, em função e/ou consequência da sua localização geográfica no território. Desta forma, a presença de sujeitos políticos racializados no território oscila entre estar na cidade e ser da cidade. Mas, mesmo quando os sujeitos racializados se percepcionam como sendo da cidade, confrontam-se sempre com a ordem racial que não lhes reconhece esta pertença.

 

 

António Brito Guterres – A forma (pós) colonial da Metrópole

Inequivocamente, Lisboa é um espaço de memórias coloniais. Apesar dessas marcas terem pedra e sítio, essa efectividade também é quotidiana, transversal e invariável da organização do espaço, forma e funções da Área Metropolitana de Lisboa. Determinados lugares foram reservados para determinados intervenientes, subjugando-os a determinadas práticas, subalternidades e resistências.

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