Saltar para conteudo
Visitar TBA
Anterior Anterior
27 Julho - 31 Agosto
Sílvia Pinto Coelho

Maratona de Procrastinação (noutros termos): Episódio #4 Christine De Smedt + Mark Tompkins

Discurso
Programa Digital

27 Julho - 31 Agosto

Discurso
Programa Digital

Entrevistas: Sílvia Pinto Coelho com Christine De Smedt + Mark Tompkins
Vídeo e som: Sara Morais
Edição de Vídeo: Sara Morais e Pedro Gancho
Produção: ORG.I.A.
Produção executiva: Marta Moreira
Coprodução: Teatro do Bairro Alto
Apoio: ICNOVA, FCSH

Christine De Smedt desenvolve o seu trabalho artístico entre a dança/performance e coreografia, coordenando, organizando e curando projetos artísticos, assim como residências no P.A.R.T.S. em Bruxelas, onde também foi coordenadora pedagógica. Colaborou com Meg Stuart, Mårten Spångberg, Mette Edvardsen, Philipp Gehmacher, Vladimir Miller, Xavier Le Roy, Mette Ingvartsen, Eszter Salamon, Bojana Cvejic, entre outros.

Mark Tompkins
Bailarino, coreógrafo e professor norte-americano, vive em França desde 1973. Após uma série de solos e de colaborações de grupo, fundou a sua companhia I.D.A. em 1983. Os solos, peças de grupo e concertos que misturam dança, música, voz, e vídeo são passos de uma viagem iniciada nos anos 1970, e desde 1988, com a cumplicidade cenógrafo e figurinista, Jean-Louis Badet. A paixão por improvisação e composição em tempo real levam-no a colaborar com muitos bailarinos e músicos, videastas e desenhadores de luz. Reconhecido pelo seu ensino, Tompkins viaja extensivamente pelo mundo.

A “maratona de procrastinação”, uma parte do projeto Escola da Procrastinação, de Sílvia Pinto Coelho, com a colaboração de Lília Mestre, seria um encontro duracional, ao ar livre, no dia 7 de junho de 2020, no Jardim Botânico de Lisboa.

A pandemia obrigou à redefinição do projeto e esta série de oito entrevistas que apresentamos em quatro episódios, com alguns dos possíveis convidados para a maratona de procrastinação, foi pensada como compromisso entre: um encontro em presença física, e a distância de segurança a que a lei e o bom-senso nos obrigaram.

As entrevistas são todas feitas ao ar livre e a mais de dois metros de cada entrevistada, exceto a conversa em vídeoconferência com Mark Tompkins, a partir de sua casa, em Paris.

«Ao propor uma “maratona de procrastinação” quisemos fazer ressoar um passado de encontros quase todos relacionados com eventos de dança nos anos 1990, no lastro do êxito social das jams de contacto improvisação. A palavra “maratona” pretende recuperar a memória das “maratonas” e dos “manifestos para a dança” (Lisboa 1992, 1993, 2000). “Procrastinação” refere-se, simultaneamente, à vontade de protelar e de abrandar os modos de produção na atualidade, e à capacidade de improvisar em processos criativos. Será que as ferramentas de improvisação podem contribuir para o abrandamento dos atuais modos operativos?

Falar sobre improvisação, investigação artística e encontros públicos de artistas é complicado, mas foi justamente o desafio que encetámos com as entrevistas. Dois critérios simples estão por detrás da escolha dos entrevistados  ̶  são pessoas que, ou propuseram e organizaram encontros públicos de improvisação entre pares na área da dança e performance ao vivo, ou participaram neles enquanto improvisadores, e que  têm um discurso sobre o “encontro”, a “investigação”, a “improvisação”, a “partilha pública”, a “composição”, a “construção de comum”.

Christine de Smedt esteve envolvida na formulação e concretização de Crash Landing (1996-1999) com Meg Stuart e David Hernandez; Mark Tompkins foi proponente de: Klick Clique (1993-1995) – com David Zambrano, Sasha Waltz e Frans Poelstra -, On the Edge, 1998, En Chantiers (2001-2004) e Serious Fun (com Meg Stuart, entre outros, 2019); Vera Mantero participou em ambos os formatos de evento – Crash Landing (várias edições), On the Edge (1998) – entre muitos outros encontros (p.e. em Lisboa e Porto); João Fiadeiro proponente dos LABs da REAL (desde 1992), do Skite em Lisboa (1994), participante no On the Edge (1998), desenvolve, também, o seu método de Composição em Tempo Real (desde 1995), mostrado em público enquanto projeto Existência (2002); e Peter Michael Dietz que fluiu no panorama Europeu entre vários projetos e abordagens à dança e performance improvisada, ao vivo, com propostas suas de improvisação em público, como Viva o Momento, etc. Na geração que não passou pela euforia das jamsMárcia Lança começou com Sofia Neuparth, no Chapitô, depois desenvolveu a composição em tempo real com Fiadeiro e passou por outras abordagens num dos cursos do Forum Dança. Mariana Tengner Barros e Elizabete Francisca Santos também fizeram uma edição importante dos cursos do Forum Dança com: Deborah Hay, Lisa Nelson, Francisco Camacho, Vera Mantero, Mark Tompkins, João Fiadeiro. Ambas têm um panorama vasto das práticas de improvisação possíveis através da dança, mas desenvolveram, sobretudo, o seu encontro com Mark Tompkins e Meg Stuart que resultou na apresentação recente, em Viena, de Serious Fun (2019). Outros entrevistados ficaram na mira de uma próxima oportunidade de encontro!»

Sílvia Pinto Coelho

A Maratona de Procrastinação, programada para acontecer a sete de junho, no Jardim Botânico de Lisboa, foi adiada… Ou então, trata-se disso mesmo, de algo que começa assim que é enunciado, e que continua a ser indefinidamente protelado. Fará isso parte do projecto de procrastinar? Nesse caso, uma maratona só sublinha o que já existe, mas disfarçada de planos de concretização. São afinal planos de adiamento, ou de procrastinação. Se, por motivos covídicos, o confinamento se prolonga, o encontro faz-se em modo reflexivo, em lugar de proporcionar uma festa presencial. Foram propostas oito entrevistas sobre a potência desses encontros, que estão agora disponíveis no site do TBA. Em lugar de uma maratona de procrastinação temos acesso a discursos concretos que se referem a encontros difíceis de descrever. Improvisar é o quê? Conversar? Jogar? Encontrar relações, ligações, nexos? Posicionarmo-nos? Saber fazer durar o lugar de não saber? Christine De Smedt uma das proponentes de Crash Landing com Meg Stuart e David Hernandez, nos anos 1990, faz connosco uma reflexão atual sobre os sentimentos contraditórios que tem em relação aos vários tipos de improvisação. “Na improvisação organizamos também a distração, juntando as pessoas, ou juntando as coisas que ainda não conhecemos para nos impulsionarmos para um outro nível. (…) Penso que, nesse sentido, a improvisação tem também um grande elemento de transformação” (CS). Mark Tompkins refere que “procrastinar pode ser muito positivo, desde que não nos deixemos cair no ‘modo espera’. Procrastinar pode ser apenas – “Bem, gosto de onde estou, porque hei-de andar por aí a fazer coisas doidas se me sinto bem aqui? Ou, quando estou a correr, porque hei-de parar ali só porque parece que devia? Essa é a minha ideia de procrastinação. E na vida sou bastante procrastinador, mas não no bom sentido.” (MT)

 

Este teatro tem esta newsletter
Fechar Pesquisa