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07 Outubro
Tânia Carvalho

Madmud

12 eur
Música

07 Outubro

sexta 19h30

Música
Preço 12 eur
Menores de 25 anos: 5 eur

Sala Principal
Duração 60 min.

Classificação Etária:

M/6

Interpretação (voz e piano) Tânia Carvalho
Técnico de som Juan Mesquita
Produção Tânia Carvalho, Estúdio 25
Escultura Terra (da série Demónios) Leonor Hipólito
O Estúdio 25 é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal – Ministério da Cultura/Direção-Geral das Artes no biénio 2021-22

Diz várias vezes que muito pouco, quase nada, tem a acrescentar ao que nos dá a ver, a ver mexer, a ouvir, a sentir: o que posso dizer sobre o que faço que não tenha dito no que faço?

Tânia Carvalho fala connosco como coreógrafa, actriz, bailarina, música, ilustradora: por todos estes caminhos, ao longo dos anos, tem passado a sua maneira de comunicar, de pôr em comum. Não importa o como, o meio ou a forma, da peça de dança ao desenho: haverá lá atrás uma força psíquica que se transforma em mecânica e em gesto, que se dissolve debaixo de cada passo, cuja opacidade espelha o mistério da origem, a vista da distância; alguma coisa que se murmura ao ouvido, um segredo ou uma sombra, e logo nos tornamos detectives à procura.

Então, as perguntas ganham corpo: o que pode valer uma folha de sala, uma sinopse e outros rituais de contextualização da obra? Por outras palavras: como recebemos o que vem dali da frente? Proposta de aparente simplicidade: com tudo com que chegamos a este lugar onde nos sentamos. Aqui estamos, vindos das coreografias e os filmes já vistos, das canções e da memória, dos livros e dos mitos. Da ressonância das coisas que passaram. Encontraremos depois a forma e o fonema, o corte e a repetição, o movimento e a paragem. Depois, tudo se pode tornar num jogo: estamos livres de uma exegese que nos fecha os parêntesis, e se quisermos, madmud poderá ser redrum poderá ser rosebud poderá ser captado pela intuição: duas sombras saem de um corpo, espalham-se no chão e crescem em direcções opostas para o fim do palco. Miragem, miragens: umas vezes Conrad Veidt como Gwynplaine em The Man Who Laughs ou como Cesare em Das Cabinet des Doctor Caligari. Ao longe Diamanda Galás ou El Hombre Caballo. Outras vezes, outras visões: cada um de nós trará as suas e depois talvez deseje falar sobre isso.

No final, seremos devorados pelas sombras: tudo há-de escurecer e como num sonho ficaremos a sós, num tempo não linear, acausal. E como na canção, tudo estará no lugar certo.

 

Eduardo Brito, argumentista e realizador
O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico

Reconhecida e aplaudida sobretudo como coreógrafa, Tânia Carvalho tem desenvolvido, paralelamente, um expressivo trabalho musical durante toda a sua carreira artística. Em fevereiro deste ano, no TBA, apresentou o solo Captado pela intuição e em outubro regressa com Madmud, um concerto para piano e voz.

 

Madmud (lama louca) vem de uma sensação que tenho quando canto, que me faz pensar em elementos que vêm de longe, algo que vem das profundezas da terra e que passa através do meu corpo.”

Tânia Carvalho

 

Em ressonância direta com a sua peça de dança Onironauta (2020), Madmud faz-nos mergulhar na esfera musical e poética de Tânia Carvalho. Através da sua voz vulcânica e operática, do drama visual e da sua composição imaginativa ao piano, Tânia distorce e desforma as canções numa fluidez cativante, onde ondas de melancolia e tumultos tenebrosos pairam no ar. É comparada por vezes a personalidades como Nina Hagen, Diamanda Galás, Yma Sumac ou Meredith Monk pela força da sua voz e pelo modo como canta com todo o seu corpo.

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