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16 - 18 Dezembro
Nuno Lucas com Geoffrey Carey e Frédéric Danos

Ma vie va changer

Teatro
TBA no Lux

Frédéric Danos

Nascido em 1959, Frédéric Danos trabalha com performance, a destruição lírica, música e o cinema. Está interessado em biografia familiar, comida caseira, improvisação e publica artigos em revistas. Ele é membro do trio sonoro Jeune Fille Orrible e do projeto Encyclopédie de la Parole.
Nos últimos anos destaca: Berceau miraculeux du chasseur-cueilleur, uma instalação com Olivier Peyricot; Philippe filmou entrevistas para uma biografia da família; J’ai mis 9 ans à ne pas terminer um documentário de longa duração com sessões privadas online e por telefone; I could write a song co-escrita e dramaturgia com Nuno Lucas.
Seus projetos futuros incluem: Ma Vie va changer uma performance culinária com Nuno Lucas e Geoffrey Carey e Peut être, um projeto solo para a Encyclopédie de la parole de Joris Lacoste no Teatro St-Nazaire.

Nuno Lucas

Nasceu em Portugal, 1980. Atualmente vive entre Paris, Lisboa e Seoul. Trabalha como coreógrafo, performer e professor. Começou a revelar aptidão para a comédia aos cinco anos. Estudou no conservatório de música (guitarra e voz). Estreou-se como intérprete com o coreógrafo Miguel Pereira no Teatro Nacional D. Maria II em 2001. Em 2003 é convidado por João Fiadeiro para conceber os seus primeiros esboços coreográficos no LAB10. Licencia-se em Economia na Universidade Nova de Lisboa em 2004. A solo criou I Could Write a Song (2015 – Théâtre de Vanves, França). Em colaboração criou com: Hermann Heisig Pongo Land (2008 – Théâtre L’usine, Suíça) e What comes up, must go up (2009 – Festival Tanz im August, Alemanha); com Márcia Lança Trompe le Monde (2010 – Culturgest) e Por esse Mundo Fora (2016 – Teatro Maria Matos); com Pieter Ampe, Gui Garrido & Hermann Heisig a coming community (2012 – Kunstenfestivaldesarts). Apresentou o seu trabalho em Portugal, França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Suíça, Estónia, Suécia, Noruega, Finlândia, Roménia, Espanha, República Checa, Argentina e na Coreia do Sul. Como intérprete destaca o trabalho com: Miguel Pereira, Joris Lacoste, Rita Natálio, Ivana Müller e Mala Voadora. Na sua formação foram determinantes os cursos de Pesquisa e Criação Coreográfica no Fórum Dança e ex.e.r.ce no CCN.Montpellier, sob a direção de Mathilde Monnier e Xavier le Roy, onde foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.
Leciona regularmente composição/performance em vários países, para adultos assim como para crianças.

Geoffrey Carey

Ator. Nascido nos Estados Unidos, ele começa a sua carreira de cinema na Europa com L’Hôtel de la plage de Michel Lang (1978), Le Territoire (1981) de Raúl Ruiz e L’État des choses (1982) de Wim Wenders. Continua a participar em vários filmes nomeadamente em Le Grand Bleu (1988) de Luc-Besson, Trois places pour le 26 (1988) de Jacques Demy, Lune de fiel (1992) de Roman Polanski, Eiffel Tower Trilogy: Height, Weight & Gravity (1997) de Pan Nalin, Rois et reine (2004) de Arnaud Desplechin, The Woman in the Fifth (2011) de Ethan Hawke e Holy Motors (2012) de Leos Carax. Em teatro trabalha como intérprete para Claude Régy, Luc Bondy, Bruno Meyssat, Stanislas Nordey, Thomas Jolly, Ludovic Lagarde, Hubert Colas e Joris Lacoste.

Em Paris, nos anos noventa, o ator Geoffrey Carey ia a casa de pessoas para lhes contar histórias em troca de uma refeição. Em Ma vie va changer ele não estará a sós mas sim acompanhado de Nuno Lucas e Frédéric Danos à volta de uma mesa, onde ficarão juntos durante o tempo de uma refeição.

Nuno Lucas desafia Carey a partilhar algumas das suas histórias de vida. Para além do seu dom natural para as contar, tem uma vasta experiência tendo trabalhado e convivido com figuras importantes do teatro e do cinema como Peter Brook, Buster Keaton ou Wim Wenders. Nascido em Hollywood, Geoffrey Carey é filho de um famoso ator de cinema, mas vive em Paris há mais de 40 anos.

Ma vie va changer é inspirado no filme My dinner with Andre (1981) onde dois velhos amigos se encontram para jantar depois de muito tempo sem se verem e onde discutem filosoficamente temas como teatro, a natureza do teatro, assim como a natureza da realidade, e estranhas experiências de vida, partilhando assim as suas diferentes visões que têm sobre o mundo. Mas não será apenas uma viagem ao passado. Geoffrey estará acompanhado de Nuno Lucas, seu amigo e confidente que o questiona sobre o seu trabalho, as suas escolhas de vida, os dissabores, as aventuras, o que ficou para fazer, se ainda há algo para aprender, as suas histórias de bastidores, sobre as diferenças do antes e do agora. Se algo mudou? Se sim, o que mudou? Frédéric Danos também estará presente. Para além ser o cozinheiro do jantar e de ter na culinária um hobby, ele também escreve para revistas e já publicou vários livros, nomeadamente Cuisine domestique.

Ma vie va changer pretende ser uma reflexão sobre a condição de artista. De como se dedica uma vida ao espetáculo e as consequências desse estilo de vida: o risco, a insegurança, o êxtase, o desgaste, a glória, a solidão. As confidências de um artista. Qual é a força que o move depois de tantos anos de trabalho, o que o faz acreditar ainda naquilo que faz? Será que ainda resta algo para dizer? Para fazer? O que resta do que fica? Questiona também o lugar do desejo numa idade avançada. Uma tentativa de reativar as forças poderosas da memória como instrumentos que permitem reinjetar uma energia perdida do passado para o presente.

A criação de Ma vie va changer surge naturalmente após a criação do espetáculo I could write a song uma peça autoficcional-biográfica em que Nuno Lucas conta e atravessa episódios da sua vida. Nessa peça, é a frase do psicanalista francês Jacques Lacan que diz que “não falamos nada mais do que de nós próprios” que está sem dúvida na origem desse monólogo. Sozinho em palco, ele convoca personagens que o assombraram e que o assombram, trazendo-as para o presente. A sua avó, os seus pais, namoradas, amigos, colegas de trabalho, companheiros, estranhos, todos eles fazem parte do seu universo. Mas não são apenas recitações de memórias ou factos pessoais, mas sim um mergulho poético e lúdico no espaço interior das nossas emoções. Em I could write a song partem-se de situações simples, por vezes anedotas, que não podem evitar de reenviar o público para suas próprias histórias. Uma tentativa de criar laços de intimidade e proximidade com o outro. Em Ma vie va changer o interesse do relato na primeira pessoa é também o ponto de partida para a escrita. Das histórias reais para lugares ficcionais. Uma mesa como ponto de encontro, lugar de partilha.

Ma vie va changer surge como o mais ambicioso projeto de Nuno Lucas. Depois do solo I Could Write a Song e das criações em colaboração Pongo Land, What comes up, must go up, Trompe le Monde, Por esse Mundo Fora e a coming community, Ma via va changer representa uma imersão mais decisiva no potencial dramatúrgico do quotidiano, complexificado pelas múltiplas personalidades envolvidas e o seu carácter multicultural e transgeracional. Um espetáculo para mudar a vida de Nuno Lucas.

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