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08 - 10 Abril
Mário Afonso

Framework

Preço único 7€
Dança

08 - 10 Abril

sexta e sábado 19h30
domingo 17h

ACESSIBILIDADE
Acessível a pessoas surdas devido ao dispositivo com texto escrito ao vivo em cena

Dança
Preço Preço único 7€
Duração 45min

Classificação Etária:

M/16

Conceção e Interpretação Mário Afonso
Produção Carta Branca
Edição áudio Nuno Luz
Música “Splanky” de Count Basie
Comunicação Patrícia Cuan
Produção executiva Hannya Melo
Apoio EIRA, Festival Cumplicidades, O Rumo do Fumo
Agradecimentos Miguel Pereira, Sofia Campos e Teresa Dias

O TBA fica junto ao Largo do Rato.

Condições de acesso

  • O uso de máscara é obrigatório antes, durante e depois da sessão.
  • Solicitamos que desinfete as mãos à entrada e adote as medidas de etiqueta respiratória.
  • Mantenha uma distância de segurança e evite o aglomerar de pessoas.
  • Traga o seu bilhete de casa ou, caso tenha mesmo de comprar o bilhete na nossa bilheteira, escolha o pagamento contactless por cartão de débito ou MBway.
  • Nas entradas e saídas, siga as recomendações da equipa do TBA.

O percurso de Framework

 

Framework é um estudo para um solo, iniciado em 2005, no contexto do projeto O que fazer com o corpo, que se manteve enquanto trabalho em processo até 2018.
Com o objetivo de recuperar as orientações que na altura me levaram a este estudo, voltei aos cadernos onde registei as ideias de então. As surpresas são muitas, pois torna-se evidente que há um conjunto de elementos da memória que se sobrepõem uns aos outros, deixando no presente uma perceção diferente da sequência dos acontecimentos. Mas também põem em evidência a ligação entre as diferentes fases que agora, à distância, revelam o percurso até chegar a Framework.

Apercebo-me, voltando às minhas anotações, de que O que fazer com o corpo, além de ser o título do projeto de experimentação de ideias, do qual resulta um conjunto de sete diferentes estudos para trabalhos a solo, é também o título de um desses trabalhos desenvolvidos neste contexto. E neste caso específico trata-se de um elemento fundamental no processo, que mais tarde me leva a Framework.

O que fazer com o corpo

Em cena, o chão está coberto com um linóleo preto. Do lado direito e no limite entre a zona do palco e a zona do público, posicionei um plinto preto a suportar um leitor VHS e, em cima deste, um monitor TV. Por via deste dispositivo, no écran negro da TV, exibia, em rodapé e no formato de legendas, um conjunto de citações que retirei de romances, textos informativos e ensaios filosóficos. Simultaneamente, desenvolvia no espaço um trabalho de improvisação de movimento, numa espécie de tentativa de tradução do texto das legendas.

É no contexto do solo O que fazer com o corpo, formalizo uma certa tensão entre a subjetividade do movimento em dança face à concretude da palavra escrita.

Framework

Entretanto, no contexto de uma residência artística, encontrei no estúdio de trabalho um quadro branco muito semelhante àquele que utilizo atualmente em Framework. O estremecimento foi grande, foi amor à primeira vista! E é claro que, no momento em que vi aquele quadro pela primeira vez, não fazia ideia do que poderia vir a resultar a relação com este novo objeto. Certo era que anunciava a possibilidade de novas experimentações no jogo de tensão entre movimento e escrita.

A primeira vez que apresentei Framework foi no contexto das comemorações do Dia Mundial da Dança, em 2005. Já em anos anteriores se debatiam naquele evento questões decisivas para a comunidade da dança em Portugal, no sentido de se reunirem condições de proteção para os profissionais da área. E aqui o meu conflito tornou-se ainda mais evidente: como dançar uma necessidade que exige uma resposta urgente?

Em palco, com o quadro branco, a cena associa-se facilmente a uma sala de aula. Foi a partir deste momento, desta primeira formalização, que Framework iniciou um longo caminho que atravessou diversas fases de questionamento. Um problema por resolver era o facto de este trabalho estar muito fechado nas questões da criação artística. Foi com o objetivo de solucionar este problema que recentemente introduzi novos elementos na estrutura da peça, de modo a oferecer leituras mais abrangentes e a promover diálogo também com o grande público. É esta a versão que encerra o percurso deste trabalho a solo que agora levo a cena.

                                                                                                                      Mário Afonso

 

 

Mário Afonso  estudou na Escola de Artes Visuais António Arroio. De 1991 a 1995 foi bolseiro na escola Pro.Dança e, entre 1995 e 1998, concluiu a licenciatura em Dance Theatre Performance na European Dance Development Centre/Hogeschool voor de Kunsten – Arnhem, Holanda.
Desde 1998 tem vindo a desenvolver e a apresentar o seu trabalho autoral na área da dança e, paralelamente, tem integrado projectos de tutoria e formação, como workshops e seminários, além de estudos académicos.
Em 2009 fundou a associação cultural Carta Branca, através da qual promove iniciativas de largo espectro na área da criação artística, formação e realização de ideias.
Em 2016 deu início ao projeto Prata da Casa – acervo de vídeos documentais para a dança contemporânea portuguesa, de acesso universal online: www.cartabranca.pt

 

Escrever. Apagar. Voltar a escrever e repetir a ação.

Framework é um “dueto” com um quadro branco, cuja superfície plana oferece a possibilidade de registar a concretude da palavra e a subjetividade do desenho, nos interstícios da ação determinada do gesto que apaga, que faz tábua rasa para prosseguir. Uma música de Count Basie, manipulada na duração para servir de moldura temporal à peça, cria a ilusão de estrutura coreográfica pela justaposição do ritmo musical e dos movimentos meramente funcionais do intérprete. Nesta reflexão em torno do real há uma qualidade festiva, pois não esqueci, naturalmente, a poética do tempo e do lugar em que me encontro. The show must go on!

Mário Afonso

 

“De uma forma direta e austera, este corpo, nu, expõe as suas dúvidas e revela a fragilidade de quem se coloca perante o abismo, ou o insondável da existência e da criação. Aquele lugar que não sabemos, mas que a todos pertence. Que nos deixa desarmados perante o vazio, mas também num estado de potência, como uma janela aberta onde nos projetamos exaltantes e livres”.

Miguel Pereira (coreógrafo) sobre Framework

 

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