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05 Novembro
Lantana

Elemental

14 eur
Música
Dupla Lantana + Rodrigo Amado

05 Novembro

sábado 19h30

Preço 14 eur


Sala Principal
Duração 2h com intervalo

Classificação Etária:

M/6

Eletrónica Carla Santana
Trompete Anna Piosik
Violino Maria do Mar
Voz Maria Radich
Violoncelo Joana Guerra
Violoncelo e Eletrónica Helena Espvall
Som Manuel Pinheiro
Fotografia Pedro Jafuno

Por motivos pessoais, o músico Evan Parker cancelou a sua vinda ao TBA. Em seu lugar, Rodrigo Amado apresentará o seu trabalho a solo Refraction Solo.

Elemental é o primeiro álbum de Lantana, sexteto de música improvisada e experimental formado por Joana Guerra, Maria do Mar, Helena Espvall, Maria Radich, Anna Piosik e Carla Santana. Esta viagem inaugural documentada numa edição da Cipsela Records é um convite a entrar num universo misteriosamente orgânico, criando novos mundos por onde a imaginação pode navegar sem regras nem restrições.

A apresentar esta e novas viagens, Lantana prepara-se para explorar o desconhecido no palco do TBA, num concerto de pura celebração.

 

 

Há aqui um belo encontro de escuta profunda e estruturas simples, melódicas e por vezes frágeis. É simplesmente maravilhoso, com uma alma profunda que vem de longe, da terra. Vêm da verdade!

Joëlle Léandre (compositora francesa)

Devia começar por escrever sobre Elemental, o primeiro disco de Lantana, sem me referir ao facto de serem seis mulheres, até porque o contrário não aconteceria se se tratasse de uma banda de homens. Fico até um pouco irritada comigo, porque a música não tem género e se há coisa que as Lantana demonstram no seu virtuosismo é o facto de viverem muito bem sem rótulos ou chapéus. Mas vivemos num mundo de bandeiras, que agitamos conforme o vento sopra. E no caso das Lantana, esta é a primeira pergunta que invariavelmente se lhes coloca. Eu diria que é no mínimo redutor, porque a sua música ultrapassa classificações de género e é tão livre que não esbarra em fronteiras. Mas sendo tão incomum, talvez seja necessário sublinhar.

No entanto, a existência de Lantana não é um ato político, nem pretende ser um manifesto feminista. É, antes de mais, uma viagem pelo lado transcendente e metafísico da consciência humana, algo que só se torna possível quando o que há de mais profundo num ser se encontra com outro em liberdade total. E isso é independente de tudo o que é físico ou biológico, pertence mais à esfera do sagrado do que ao puramente mundano. É magia. E aqui, sim, podemos dizer que é bruxaria, feitiçaria, que são os tais poderes ocultos reservados a seres que não encaixam em categoria alguma. É uma viagem pela verdade, improvisada em tempo real, espiritual e intimista, uma história contada a seis vozes. Cada uma tem o mundo dentro de si. Juntas, são o universo.

É isso que acontece quando Maria do Mar, Maria Radich, Joana Guerra, Carla Santana, Anna Piosik e Helena Espvall se juntam para criar música extraordinária que nos coloca a nós, ouvintes, em diálogo com as forças mais profundas da natureza. Elemental move-se como o ar, subtil como uma brisa, tempestuoso como um furacão. É terra que sustém todas as formas de vida, que se mantém firme como uma árvore, inabalável como uma montanha. Mas também é fluido como água, regenerador, capaz de nos levar a percorrer todos os estados possíveis. É incandescente, luminoso, energia no seu estado mais puro. E também sombrio, misterioso, profundo e denso, que ora parece beber nas crenças mais antigas, ora parece ir em busca de um futuro.
Elemental é tudo isto e tem tanto dentro de si. Percorro este disco de olhos fechados e vejo imagens do centro da terra, do fundo dos mares, de criaturas nunca antes vistas, de paisagens que nunca alcancei…

Com as Lantana, está tudo a acontecer enquanto os nossos ouvidos lhes dão a atenção que merecem. Escutem, mas escutem atentamente. Garanto que nunca ouviram nada assim.

 

Raquel Castro (investigadora e curadora sonora)

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