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21 Fevereiro
João dos Santos Martins

Coreia

Entrada livre (sujeita à lotação)
Discurso
Práticas de leitura

21 Fevereiro

sexta 18h30

Preço Entrada livre (sujeita à lotação)
Sala Manuela Porto
Duração 2h

Imagem Isabel Lucena

Como nasceu a ideia de fazer esta publicação? Porquê?
A principal razão foi sentir, enquanto artista, que há um espaço de reflexão sobre (e a partir d)as práticas coreográficas que está em progressivo desaparecimento nos suportes tradicionais em Portugal, como os jornais, as revistas, mesmo os blogs, que não estão a ser substituídos por outros, como as redes sociais que tão eficazes têm sido em crítica institucional. Tenho a sensação que, contrariamente aos anos 1990, momento em que a crítica acompanhava a par e passo os desenvolvimentos contemporâneos da dança, o discurso na esfera público está hoje invisibilizado, o que faz com que haja um brecha cada vez maior entre aquilo que é produzido, aquilo que se vê, e aquilo que se pensa sobre o que se vê. Apesar das práticas se renovarem ao longo do tempo, parece que os discursos que as acompanham não, permanecendo num lugar díspar ou circunscrito a outras línguas. Por outro lado, tinha também desejo de publicar escritos de artistas de dança (e não só) que raramente são publicados em Portugal, e ainda um desejo de interseccionalidade dos suportes artísticos, já que a dança continua a ser excluída do circuito das artes visuais em Portugal, por exemplo.

“Quem quer saber de Dança e Performance? Ninguém!”
Talvez isto seja sintomático do desejo de fazer esta publicação. 

Entrevista a João dos Santos Martins sobre o jornal Coreia

Quanto tempo demoraram a fazê-la, conseguem contar-nos um pouco o processo e as suas condições?
Geralmente demora uns 3 meses de produção, entre assentar ideias, fechar edição, distribuir os convites, até à revisão de textos, conclusão do design e envio para impressão. É difícil dizer o tempo certo, já que as ideias para cada edição do jornal estão sempre em circulação.
O jornal é produzido pela Circular Associação Cultural, que por sua vez é financiada pela DGArtes e a Câmara Municipal de Vila do Conde, e pela Associação Parasita. Desde este ano de 2020, a Circular e a Parasita produzem uma edição do Coreia por ano, cada. O nosso princípio é, dentro do orçamento disponível para cada edição, pagar um valor proporcional ao trabalho de cada um dos nossos colaboradores.

Que mais tinham pensado que coubesse nesta edição e acabou por não caber?
Cada edição é sempre uma experiência. Vamos tentando coser e compor coisas por intuição, empatia, semelhança ou contraste. Geralmente tenho começado por pensar num texto-espinha-dorsal – até agora têm sido textos já escritos, mas inéditos em português e/ou em Portugal – e daí partimos para outras ressonâncias. A título de exemplo sobre o que ficou por publicar, geralmente tenho uma lista de pessoas que gostaria de convidar a contribuir, depois tento ser sensível ao tempo e às circunstâncias, e depois deixar-me levar. Na última edição publicámos um texto inédito da Valeska Gert. Quando fiz a pesquisa que me levou a esse texto, encontrei um monte de material que quis traduzir e publicar, até porque não conseguia perceber patavina e não existe, até hoje, uma monografia completa dos seus escritos noutra língua que não o alemão. Mas não fazia sentido fazer da edição do jornal uma monografia da Valeska. Espero, no entanto, que alguém o faça.

Contam fazer mais edições? Qual a regularidade do projeto?
O jornal é semestral. Faremos até podermos/aguentarmos.

Como tem corrido a distribuição? Onde se pode encontrar?
No meu primeiro editorial referia a importância que fora para mim poder ler publicações sobre arte fora de Lisboa, mesmo não tendo acesso a nenhuma dessas experiências. Por essa razão, fazemos questão que a distribuição do jornal seja extensiva a todo o território nacional. No nosso site, encontram-se os pontos de distribuição. Tentamos fazê-lo chegar a todos os distritos do continente e ilhas. Como o jornal é gratuito, é mais fácil encontrá-lo no primeiro mês de publicação. Mas podemos sempre fazê-lo chegar a quem nos escrever ou não conseguir encontrar.

Que comentários têm tido?
Geralmente positivos, mas talvez poucos. Gostava que a comunidade da dança se expressasse mais sobre a publicação. Por ora resta-nos o jornal de Expressão Anarquista A Batalha que nos dedicou uma pequena recensão crítica em que pergunta: “quem quer saber de Dança e Performance? Ninguém!” Talvez isto seja sintomático do desejo de fazer esta publicação.

Em fevereiro, com a presença do editor e coreógrafo João dos Santos Martins, o foco é sobre o jornal independente Coreia.
Coreia é um projeto editorial de carácter artístico, crítico e discursivo, a propósito das artes em geral, firmado numa relação umbilical com a dança. Independente, experimental e internacionalista, o jornal, de tiragem semestral e distribuição gratuita, está focado no discurso produzido pelas obras e pelas artistas, e preocupado em divulgar formatos vários como partituras, manifestos, entrevistas, crónicas, ensaios, críticas e reflexões em língua portuguesa. Coreia é impresso e distribuído em papel em todo o território nacional.

Para saber mais sobre o jornal Coreia, clique aqui.

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