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04 Dezembro
Joana Sá, Luís J Martins e Lucas Tavares

CasaFloresta

12 eur
Música

04 Dezembro

domingo 19h30

ACESSIBILIDADE
4 dezembro 19h30
Sessão com audiodescrição

Música
Preço 12 eur
Menores de 25 anos: 5 eur

Sala Principal
Duração 1h

Classificação Etária:

M/6

Piano, conceito, criação artística, pesquisa e recolhas Joana Sá
Guitarra, conceito, criação artística, pesquisa e recolhas Luís J Martins
Criação artística, vídeo e recolhas Lucas Tavares
Conceito, pesquisa, recolhas e debates Corinna Lawrenz
Conceito, pesquisa, recolhas, desenvolvimento de plataforma casafloresta anti-mapa virtual Nik Völker
Elementos gráficos (instalação) e design de comunicação Ana Viana
Desenvolvimento web de plataforma virtual Nuno Bengalito
Desenho e operação de som (performance) Hélder Nelson
Desenho e operação de luz (performance) Miguel Ramos (Tela Negra)
Produção Sónia Gaspar
Colaboradoras André Barata, CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela, Gisela Casimiro, Helena Antunes, Marta Correia, Marta Prista, Movimento Estrela Viva, Pedro Januário, Rafaela Aleixo, Rita Natálio, Sarita Mota, Susana Rodríguez-Echevarria
Coprodução Casa da Cultura de Seia, Jazz ao Centro Clube, Teatro do Bairro Alto
Apoio República Portuguesa – Cultura | Direção-Geral das Artes
Fotografias Nik Völker, Gisela Casimiro

Luís J Martins (Lisboa, 1978): Artista multidisciplinar (guitarrista, compositor, arranjador, improvisador, etc.). O seu percurso tem-se desenvolvido em áreas tão diversas como a música contemporânea e o formato canção. Nestes campos, a sua abordagem musical tem sido marca distintiva nos projetos em que participa, tanto em Deolinda, como em Almost a Song (com Joana Sá), Powertrio (com Joana e Eduardo Raon) e Turbamulta (com Joana, Eduardo, Nuno Aroso e Luís A. Ferreira). Estudou guitarra clássica em Lisboa, Paris, Orléans e Castelo Branco, onde concluiu a licenciatura neste instrumento. Colabora, desde 2000, com Joana Sá na criação de música para teatro, cinema, projetos para a infância, etc., tendo sido ambos coordenadores da área da música do CENTA – Centro de Estudos de Novas Tendências Artísticas, onde realizaram diversos projetos em e com a comunidade. Desta colaboração destacam-se ainda as criações/encomendas: Paixão e Folia para S. João, 2018 (último espetáculo da programação musical do Maria Matos Teatro Municipal); Almost a Songbook, 2012, e Folio I, 2020. Conceberam e partilham a direção artística da iniciativa à escuta, com a qual desenvolvem os projetos catálogo poético (2021) e CasaFloresta (2022-23). Entre vários projetos na área do cinema destaca o seu trabalho como diretor musical, arranjador, co-compositor e intérprete no filme Technoboss de João Nicolau. Integra como membro convidado os projetos musicais: 100Moondog; Secret Museum of Mankind e Omniae Large Ensemble.

Joana Sá (Lisboa, 1979): Artista (pianista-compositora, etc.). O seu trabalho é marcado pela transdisciplinaridade, experimentação e pela procura de diferentes (des)formatos artísticos.  A solo no palco, mas em colaboração com o realizador Daniel C Neves, criou a trilogia à escuta | o aberto que, entre outros, constituiu o tema do seu doutoramento (2020) em Performance (Música) na Universidade de Aveiro, enquanto bolseira da FCT.  Estudou em Lisboa, Paris, Castelo Branco e Colónia. Apresenta-se importantes programações nacionais e internacionais, editou pela Clean feed, blinker – Marke für Rezentes, Shhpuma, C.S. e gravou para as rádios Deutschlandfunk, SWR2 e Antena 2. a body as listening – resonant cartography of music (im)materialities é o seu novo trabalho a solo, que terá múltiplos outputs lançados brevemente – livro, plataforma virtual, CD, etc. Com Luís J Martins partilha a direção artística do projeto ‘à escuta’, assim como inúmeros projetos dos quais se destacam o seu duo, os projetos Powertrio, Turbamulta e as encomendas de criação com direção artística conjunta de Almost a Songbook (para o evento 100 CAGE no Teatro Municipal Maria Matos) e Paixão e Folia para São João (encomenda do Maria Matos para o seu último concerto enquanto Teatro Municipal). Juntos foram (2007-08) coordenadores da área da música do CENTA, Centro de Estudos de Novas Tendências Artísticas em Vila Velha de Ródão no qual desenvolveram diversos projetos artísticos em e com a comunidade.

Nik Völker (Würzburg, Alemanha, 1981): Informático com especialização na visualização de dados em formatos digitais e impressos. Reside, desde 2011, em Portugal (Lisboa), e desde 2018 em Figueiró da Serra, Gouveia. Detém um BA em Estudos de Média da Heinrich-Heine-Universität Düsseldorf (2011) e um MA em Estudos de Cultura da Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2015), com contribuições académicas na área das artes visuais tais como “Traces otherwise than archiving. De–collecting and recalling images from the Portuguese colonial past.” (2014), “Memorizing Equatorial Crossings: Lusophone Postcolonialities in Miguel Gomes’ Tabu and Zeze Gamboa’s O Grande Kilapy” (2015), “Kamára, or the opaqueness of interior space. Politics of life & belonging in the work of Portuguese filmmaker Pedro Costa.” (2015), or “Botany of burial. Cinematic travellings along the groaning woods of unbearable pasts.” (2016). Nos seus tempos livres e desde 2018, gere, sob designação Safra Culturas de Altitude, uma quinta em modo de produção biológica certificada na encosta da Serra da Estrela, com produção de açafrão, vinho, e áreas de silvicultura autóctone. Fundou, em 2019, a plataforma de informação transparente MiningWatch Portugal e pertence, desde 2020 e como ativista focado em florestas e indústrias extrativas, à iniciativa cívica Movimento Estrela Viva. Em 2020/21, participou no projeto “ReMapping Memories, Lisboa-Hamburg. Lugares de memória (pós-)coloniais” do Goethe-Institut Portugal. É membro fundador da Associação Veredas da Estrela, formada após os incêndios de agosto de 2022.

Corinna Lawrenz (Nürnberg, Alemanha, 1986): Licenciada pela Universidade de Düsseldorf e Mestre em Estudos de Cultura pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa, com uma tese sobre a representação da violência em 48 de Susana de Sousa Dias. Entre 2015 e 2022 foi programadora cultural e editora no Goethe-Institut Portugal, tendo coordenado o festival de cinema alemão KINO. Coprogramou o ciclo de documentários Olhares em Diálogo com Agnès Wildenstein/doclisboa (2017-2019) e foi uma das responsáveis pela conceção da conferência-workshop Tudo passa, exceto o passado, dedicado a arquivos de cinema pós-coloniais que teve lugar na Culturgest em 2019. Coorganizou, ainda, o projeto participativo Retomar a Cidade (2018-2020) com a Fundação Friedrich Ebert e o Habitar Porto. Em 2021 integra a iniciativa à escuta como coordenadora de produção, realizando, a partir de 2022, investigação e trabalho com a comunidade no âmbito do projeto CasaFloresta. É elemento do Movimento Estrela Viva e presidente da Associação Veredas da Estrela, criada após os incêndios de agosto de 2022. Tem sido moderadora de conversas, mesas redondas e encontros participativos. Vive e trabalha em e a partir de Figueiró da Serra (Gouveia).

Lucas Tavares (Rio de Janeiro, 1995): Licenciado em cinema e audiovisual pela Escola Superior Artística do Porto, tem uma especialização em Cinema e Cultura Visual pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e é mestre em cinema pela Universidade da Beira Interior. O seu corpo de trabalho, composto maioritariamente por cinema documental, debruça-se sobre noções de paisagem, visuais e sonoras, sejam elas urbanas, rurais, ou que existam nesse meio. Podem-se destacar os filmes Dona Carmélia, que estreia em 2018 no DocLisboa, e o filme Cores de Outono, que estreia em 2020 no Curtas Vila do Conde e lhe valeu um prémio de melhor realizador.

Ana Viana: Designer de Comunicação e Artista Visual, Licenciada em Design de Comunicação pela Universidade de Lisboa (2007), cria e desenvolve vários tipos de projetos a título individual ou em parceria com artistas, performers e músicos. Colaborou com projetos do âmbito cultural e trabalhou com os mais diversos clientes, como Projecto MAP, Experimenta Design, Festival Alkantara, Serralves, Universidade Nova de Lisboa, Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, Lisbon Psych Fest, Festival Bons Sons, Luís J Martins, Joana Sá, Ana Nobre, Fundação EDP, Gpon Networks, We Hate Tourism Tours, Lisbon Sustainable Tourism, à escuta, Do Aberto ao Abismo do Abismo ao Aberto.

 

à escuta: CasaFloresta é um projeto de pesquisa, reflexão e criação artística em torno da floresta no Parque Natural da Serra da Estrela e sua envolvente, concebido por Joana Sá, Luís J Martins, Corinna Lawrenz e Nik Völker. Num território ameaçado pelos incêndios florestais e onde os efeitos das alterações climáticas, da monocultura do pinheiro e da desertificação se fazem sentir diariamente, à escuta: CasaFloresta procura formas de lidar com estes problemas a nível local para criar perspetivas a nível global e vice-versa. Relacionando-se com dois vales em extremidades opostas da Serra da Estrela, o projeto foi desenvolvido a sul, a partir da Casa da Guarda dos Covões (Balocas, Vide, Seia), em aldeias da sua envolvente (Balocas, Frádigas, Vide e Gondufo), e a norte, em Figueiró da Serra (Gouveia) entre junho e setembro de 2022, contando com espetáculos em contextos urbanos a partir de dezembro de 2022.

 

A Casa da Guarda dos Covões, desativada desde a década de 1970, serviu como espaço de residências e de reflexão: o que foi esta casa e que floresta é que guardava? Atrás da romantização da ideia de “casa que guarda uma floresta”, que relações de conflito se estabeleciam aqui? O que poderá querer dizer “guardar uma floresta” nos nossos dias?

 

Partindo destas questões, Joana Sá e Luís J Martins trabalharam a partir da Casa da Guarda de Covões e Corinna Lawrenz e Nik Völker a partir de Figueiró da Serra. Em ambos os territórios, e com o apoio do realizador Lucas Tavares, foram realizadas recolhas em áudio e vídeo em e com as comunidades locais: memórias, histórias e ideias sobre a floresta e as formas como as comunidades se relacionam com ela.

 

Em paralelo, quatro residências artístico-científicas na Casa da Guarda dos Covões cruzaram estas recolhas com conceitos e pesquisas de convidados de diversas áreas: artes, biologia, filosofia, arquitetura, antropologia, história, estudos pós-coloniais e ativismo. Como resultado da experiência da casa e do encontro com as recolhas, estes residentes temporários – André Barata, Gisela Casimiro, Helena Antunes, Marta Correia, Marta Prista, Rafaela Aleixo, Rita Natálio, Sarita Mota, Susana Rodríguez-Echeverría – elaboraram contributos próprios para o projeto. Destes contributos e das recolhas junto das comunidades surge o fichário digital do projeto, um arquivo fragmentário do qual, mais tarde, sairá o anti-mapa virtual – uma “floresta” digital de conteúdos da pesquisa e reflexão e elementos dos processos criativos dos intervenientes.

 

O fichário digital continuará a crescer ao longo dos próximos meses, refletindo também como um projeto em torno da temática da floresta na Serra da Estrela e sua envolvente se tornou, pela situação de seca severa e pelo grande incêndio que destruiu perto de 30% do Parque Natural, um desafio mais complexo e exigente. Figueiró da Serra, uma das comunidades envolvidas no projeto, foi atingida pelo incêndio que destruiu cerca de metade do território da freguesia. Sabendo que não é possível excluir a experiência deste agosto 2022 da reflexão de CasaFloresta e devido ao alto risco de incêndio em espaços florestais, as apresentações da instalação artística na Casa da Guarda dos Covões e em Figueiró da Serra, inicialmente previstas para setembro de 2022, ficaram adiadas para novas datas em 2023.

 

Partindo de todo este conjunto de trabalhos, os músicos Joana Sá e Luís J Martins, com o realizador Lucas Tavares e a designer Ana Viana, criaram a performance CasaFloresta e a instalação anti-mapa: floresta. Esta performance-instalação tem a sua estreia no dia 4 de dezembro no Teatro do Bairro Alto em Lisboa e irá, posteriormente, circular em teatros por todo o país, acompanhado por assembleias de reflexão. Levando as urgências do interior para os centros urbanos e de decisão, CasaFloresta procura continuar a reflexão a partir destes novos contextos e desconstruir a ideia de que a floresta é apenas uma exterioridade a estes centros. Reconhecendo que a floresta sustenta as casas de espetáculo e a condição urbana, simbolicamente e em termos concretos (energéticos, arquitetónicos, sonoros, etc.), a reflexão procurará criar novos tipos de floresta (im)possíveis.

CasaFloresta e anti-mapa floresta são uma performance e uma instalação relacionadas entre si e criadas no âmbito do projeto à escuta: CasaFloresta. Após um trabalho em e com comunidades de dois extremos da Serra da Estrela e com vários colaboradores ao longo deste verão, o espetáculo e instalação convidam agora, nos centros urbanos, à escuta e ao relacionamento com estes territórios, as suas múltiplas vozes e a sua (de)floresta, procurando tornar tangível e próximo o que é aparentemente distante.

 

 

Um palco é um palco é um palco é um piano é um piano é uma guitarra mas nem tanto.

Ausculte-se de perto.

 

Palcos são guitarras são pianos são árvores são árvores são

árvores são palcos são guitarras são pianos são árvores

são palcos são pianos são guitarras são

árvores são casas são

casas são

casas

são

 

Num palco-floresta entrelaçam-se os instrumentos de Joana Sá (piano e outros) e Luís J Martins (guitarras variadas e outros) com recolhas áudio e vídeo realizadas no decorrer do projeto, desdobrando, refundindo e aflorando as complexas relações que se desenrolam em torno da floresta. Partindo de vestígios, texturas, memórias desses relacionamentos, CasaFloresta desmantela a noção de uma oposição entre casa (dentro) e floresta (foris, fora).

Como recriar uma sem a outra?

CasaFloresta é uma performance e instalação criadas no âmbito do projeto à escuta: CasaFloresta. Partindo da Casa da Guarda Florestal dos Covões (Vide, Seia), desativada desde a década de 1970, o projeto foi desenvolvido em dois extremos da Serra da Estrela entre junho e setembro de 2022: Figueiró da Serra (Gouveia), a norte, e nas aldeias de Balocas, Frádigas e Vide (Seia), a sul.

O que poderá ser guardar uma floresta hoje? Partindo desta questão e de uma noção de escuta enquanto relação de ressonância com o “outro”, Joana Sá e Luís J Martins trabalharam a partir da Casa da Guarda de Covões e Corinna Lawrenz e Nik Völker a partir de Figueiró da Serra. Com o apoio do realizador Lucas Tavares, foram realizadas recolhas em áudio e vídeo junto das comunidades locais. A Casa dos Covões serviu também como espaço de residências com diversos colaboradores do projeto (biólogos, filósofos, antropólogos, historiadores, ativistas, entre outras pessoas), e ponto de partida de uma reflexão que procura compreender as (des)funcionalidades dessa casa e a sua relação com a (des)floresta que a rodeia.

Partindo do trabalho de recolhas e dos outputs dos vários colaboradores (que podem ser consultados no fichário digital do projeto), Joana Sá e Luís J Martins, com Lucas Tavares (vídeo), criaram a performance e instalação CasaFloresta. Levando as urgências do interior para os centros urbanos e de decisão, CasaFloresta procura continuar a reflexão a partir destes novos contextos e desconstruir a ideia de que a floresta é apenas uma exterioridade a estes centros.

 

Colaboraram no projeto:

André Barata
Filósofo, Presidente da Faculdade de Artes e Letras da Universidade da Beira Interior.

Gisela Casimiro
Escritora, artista e ativista. Recentemente dramaturga da peça Casa com árvores dentro.

Helena Antunes
Antropóloga, presidente e cofundadora da Geradora – Cooperativa Integral.

Marta Correia
Bióloga, ligada ao Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra.

Marta Prista
Antropóloga, arquiteta e curadora, ligada ao CRIA e FCSH.

Rafaela Aleixo
Estudante e ativista da Greve Climática Estudantil da Guarda.

Rita Natálio
Artista, investigador, coordenador do projeto Terra Batida da Associação Parasita.

Sarita Mota
Historiadora, especialista em História do Brasil séc. XVI-XIX, ligada ao ISCTE.

Susana Rodríguez-Echeverría
Bióloga e coordenadora do projeto EcoLab Estrela do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra.

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