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15 - 18 Dezembro
Gaya de Medeiros

BAqUE

12 eur
Dança

15 - 18 Dezembro

quinta a domingo 19h30

ACESSIBILIDADE
18 dezembro 19h30
Sessão com interpretação em Língua Gestual Portuguesa

CLUBE ESPECTADOR
17 dezembro após o espetáculo na Sala Manuela Porto
Moderação Alice Azevedo

Dança
Preço 12 eur
Menores de 25 anos: 5 eur

Sala Principal
Duração 55 min.

Classificação Etária:

M/16

Direção e produção Gaya de Medeiros
Cocriação e interpretação Ary Zara, Lari Tav(Labaq), João Leonardo , Gaya de Medeiros e Eríc Santos
Dramaturgia Keli Freitas e Gaya de Medeiros
Direção musical Lari Tav
Figurinos Raphael Fraga
Desenho de luz e espaço cénico Tiago Cadete
Técnico de luz Lui L’Abbate
Produção executiva Carol Goulart
Gestão Irreal
Coprodução Bolsa de Criação O Espaço do Tempo, com o apoio do BPI e da Fundação ”la Caixa” ; Teatro do Bairro Alto, Centro Cultural Vila Flor – Guidance
Apoios Espaço Alkantara, Programa de Residências – O Rumo do Fumo, Câmara Municipal de Lisboa / Polo Cultural Gaivotas | Boavista

Gaya de Medeiros (1990), Minas Gerais, Brasil.
Cursou a Universidade de Cinema de Animação UFMG/BR. Estudou Ballet clássico, Dança Contemporânea, Teatro e Dramaturgia. Trabalhou durante 9 anos como bailarina e criadora na Cia de Dança do Palácio das Artes(BR). Em Portugal colaborou com Tiago Cadete, Sónia Baptista, Gustavo Ciríaco, Alex Cassal, Victor Hugo Pontes e Daniel Gorjão. Protagonizou o curta-metragem Caroço de Abacate, dirigido por Ary Zara, premiado no IndieLisboa 2022, AFI Film Festival (Hollywood) e no Film Court Festival (Fr). Criou Atlas da Boca que integrou o Festival Alkantara 2021 e foi eleito um dos melhores de 2021 pelo Jornal Expresso. Em 2022, estreia sua nova criação BAqUE, um espetáculo-concerto cocriado com um grupo de pessoas trans. Fundou a BRABA.plataforma que visa apoiar, viabilizar e financiar iniciativas protagonizadas/direcionadas para a comunidade Trans/Não binária.
o.

“Vem confuse, mas vem com fome!”

Deixo aqui um texto que não entrou na peça, mas que diz do universo em que a criámos. Estávamos naquela fase do processo de criação (e ainda continuamos) em que a narrativa deu lugar a uma mistura de palavras e sensações, e as histórias foram-se borrando até perderem os contornos dos seus inícios e fins…

 

As constatações
As hipóteses
Os frios na espinha
Tudo começando onde as palavras eram as coisas.
As palavras já foram as coisas e as coisas tinham muita vontade de ser.
Tudo começava no fim de outra coisa. Alguma coisa sempre a acabar…
A um passo… a um…
Um tempo onde descobrimos que a gente é fraco
e que os prazeres da vida rodavam todos à volta de um buraco…
de um buraco no mundo.
Toda a gente ouvia o barulho do fim… toda a gente ouvia o barulho do fim se aproximando…
Eram anjas, eram malandras, eram salamandras… não! Eram decepções.
Eram decepções motivando a abertura de um buraco.
Era um tempo em que as pessoas tinham os pés virados para trás.
Andava-se para frente mas com os pés virados para trás.
Eram curupiras, eram figuras mitológicas…
eram seres mais misturados, eram seres meio…
seres que abriam buracos.
Seres que abriam buracos para juntar terra em outro lugar.
Era juntar espaço, era compartilhar espesso.
Ouvia-se ao longe:
“Vai, leva seu pai nas costas! Constrói uma cidade com seu pai nas costas!”
E blá-blá-blá…
Então, era uma tentativa de criar uma mitologia ao contrário,
uma mitologia que não começasse a explicar as coisas porque elas aconteceram de um certo jeito, mas que desexplicasse!
Desexplicar para dizer que elas poderiam acontecer de outro jeito no futuro.
Era um alívio..
Afinal, o que era?
Era uma falta…
Era uma mãe que não havia
Era um avião
Era uma desassociação
Era o medo de ser a doida da praça
Era uma cachorrinha morta
Era um pó que trazia morte nas cartas
Era um lobo mau reformado
Era um avião atravessando um prédio na televisão
Era um lobo mau que era uma girafa
Era um aglomerado de ovelhas raivosas e em fila

Era um tempo em que a gente descobria que gente é valente – e fraco
que a gente é valente – e fraco
e que bate…
a gente bate
mas não quer bater…

Ou quer?

Gaya de Medeiros

O que é o Clube Espectador?

Maria Sequeira Mendes e José Maria Vieira Mendes conversaram connosco sobre o projeto Clube Espectador: um momento de conversa no final dos espetáculos que, normalmente, acontece sem a presença dos artistas.

 

“toda girafa dá à luz em pé /o primeiro contato do filhote com o mundo
acontece a partir de uma queda barulhenta /a mais de 2 metros de altura.
os filhotes de girafa já nascem sabendo andar, (…)
é a relação íntima com o baque que prepara o corpo pra vida.”

Fabrício Garcia

BAqUE é um espetáculo-concerto e uma celebração. Num ritual de afetos e fábulas, um coletivo de pessoas trans experimenta uma utopia em que todos os corpos são iguais e já não existe género, nem qualquer outro marcador que nos diferencie. Propomos (re)narrar o mundo e as relações que nos conectam com a existência: falar de tudo o que nos vibra na vida e de tudo o que nos faz parar de vibrar nela. BAqUE procura responder à pergunta: se o meu corpo não viesse antes de mim, eu falaria sobre quê?
Esta peça nasceu do desgaste frente às antigas narrativas acerca das corpas trans, sempre conectadas à dor e ao sofrimento. Enquanto artista, interesso-me por trazer novas narrativas acerca de outros modos possíveis de estar no mundo. Nessa busca, aproximei um elenco muito diverso nos seus talentos para evidenciar a potência e a disforia alegria das existências peculiares.

Gaya de Medeiros

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