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Utopias

2016/2017
Alice: “Would you tell me, please, which way I ought to go from here?”
The cat: “That depends a good deal on where you want to get to.”

Lewis Carroll, Alice in Wonderland

Em 1516, Thomas More publicou Utopia, uma crítica à sociedade em que vivia e um manifesto para um mundo melhor. Em 1917, a Revolução Russa derrubou o regime czarista, rumo a um futuro mais feliz. Como se sabe, as promessas não se realizaram e a história do século XX demonstrou que a humanidade é capaz de monstruosidades em nome de um suposto mundo ideal. Tornou-se hábito olhar para qualquer aspiração utópica com uma mistura de descrença e desconfiança. Depois da queda do muro de Berlim, pensar a sociedade em termos ideológicos tornou-se tabu e a política transformou-se num exercício de gestão. A ambição de construir um mundo melhor foi trocada pela convicção de que estamos a viver no melhor dos mundos possíveis e de que é suficiente confiar na “mão invisível” do mercado e limar as imperfeições.

No entanto, o conceito da “gestão eficiente” do mundo globalizado em moldes neoliberais está a falhar. Confrontadas com a degradação alarmante do ecossistema, o aumento das desigualdades, a privatização selvagem do que deveria ser comum, a migração massiva, o desaparecimento da solidariedade, cada vez mais pessoas reclamam o regresso da política: uma política que reocupe o seu lugar central, que ouse imaginar novos modos de atuar, procure caminhos diferentes e inclua os cidadãos nos processos de decisão. Quais são as ideias que estão a emergir capazes de nos inspirar? Onde estão os projetos que experimentam diferentes formas de conviver? Quais são as utopias de que a humanidade precisa para agir criticamente e recriar o presente? Será que a arte tem aqui um papel a desempenhar? Business as usual deixou de ser opção: é preciso voltar a imaginar o mundo em que queremos viver. É preciso juntarmo-nos enquanto cidadãos para o construir.

O ciclo UTOPIAS oferece um programa alargado que atravessa toda a temporada 2016-2017 do Teatro Maria Matos, com espetáculos, instalações, palestras, encontros e eventos no espaço público, com convidados que fazem do agir crítico e da imaginação política uma tarefa diária. As UTOPIAS da temporada estão organizadas em seis arquipélagos, seis territórios para conhecer possibilidades que estão já em curso, e de imaginar outras. Em setembro e outubro, visitamos o Arquipélago da Resiliência, em que olhamos para o regresso da imaginação política nos movimentos sociais que têm irrompido um pouco por todo o mundo nos últimos anos. À crescente precariedade e aos discursos do medo contrapõem mais solidariedade. Ao status quo respondem com ativismo e participação a todos os níveis da sociedade. A utopia é aqui um horizonte que se reinventa enquanto se vai caminhando.

Uma coprodução House on Fire com o apoio do Programa Cultura da União Europeia.

curadoria: Liliana Coutinho e Mark Deputter


UTOPIAS


setembro → outubro 2016
Arquipélago da Resiliência olha para o regresso da imaginação política nos movimentos sociais que têm irrompido um pouco por todo o mundo nos últimos anos.

novembro → dezembro 2016
Arquipélago das Diversidades parte da crise dos refugiados para revisitar os problemas e as oportunidades da sociedade diversa.

 

janeiro → fevereiro 2017
Arquipélago Comum revisita os muitos projetos utópicos surgidos dos comunismos e anarquismos que surgiram no início do século XX.


março 2017
Arquipélago dos Afetos dá a palavra aos muitos que estão a repensar a política como uma atividade também afetiva.

 

março → abril 2017
Arquipélago Capital centra-se nas forças imaginativas e destrutivas do capitalismo.


maio → julho 2017 
Arquipélago Verde foca o imaginário utópico mais influente da atualidade, surgido da necessidade incontornável de manter o planeta viável.
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