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Europa Improvável

2 a 14 Outubro 2015

Fim de junho de 2015. É preciso escrever uma introdução ao pequeno ciclo temático sobre a Europa que organizamos em outubro. A crise grega entra na sua fase final, o governo Cameron prepara o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, os eurocéticos ganham terreno em quase todos os países da União e as tensões tradicionais entre as economias do centro e da periferia crescem de dia para dia. Na fronteira sul, o norte da África passou de uma “zona sensível” a um teatro de guerra aberta; no Leste, a relação com a Rússia voltou a ser de confronto direto; e o novo mundo globalizado é muito mais volátil do que alguma vez era esperado. A crise ecológica é galopante. No meio disto tudo, a Europa não consegue formular respostas satisfatórias a nenhum dos grandes desafios que se colocam: a imigração, o fundamentalismo islâmico, a política de energia, a arquitetura débil da zona Euro, a defesa, o aquecimento global e o desgoverno do hipercapitalismo global.

Fim de junho e parece impossível escrever algo de seguro sobre a Europa que iremos encontrar depois das férias de verão. É uma constatação desconcertante, inimaginável até há bem pouco tempo.

No entanto, a vulnerabilidade é uma característica inata do projeto europeu. Se políticos e comentadores pró-europeus insistem quase diariamente que na Europa nada pode ser visto como adquirido e que é preciso trabalhar e lutar incessantemente pela unidade entre os estados-membros é porque a União Europeia é um projeto improvável desde os seus primeiros passos. É no meio do século mais sangrento da história da humanidade, no preciso epicentro do confronto das ideologias e forças que incendiaram o mundo, que nasce a ideia quase utópica de conciliar os inimigos e juntá-los no projeto de paz mais ambicioso de todos os tempos. É uma história de superlativos que se vai fazendo passo a passo com boa vontade, paciência e com o vento em poupa da globalização da economia.

Se as crises múltiplas de hoje revelam uma fragilidade inesperada é porque os demónios que o projeto europeu procurou exorcizar nunca deixaram de existir. No ciclo Europa Improvável, dois artistas europeus procuram olhá-los de frente, investigando os eventos mais dolorosos da história recente dos seus países. O escritor e encenador galego Pablo Fidalgo Lareo apresenta duas peças sobre a Guerra Civil e a ditadura em Espanha, O Estado Salvaxe. Espanha 1939, de 2013, e a nova criação Haverás de ir à guerra que hoje começou. No projeto 15th Extraordinary Congress, a artista croata Vlatka Horvat junta sete mulheres de várias partes da ex-Jugoslávia para confrontar histórias e pontos de vista sobre a implosão violenta do seu país.

O coletivo Rimini Protokoll procura os mesmos demónios dentro de nós, nas nossas opiniões, na nossa disponibilidade de colaborar e encontrar compromissos. Europa em casa é um espetáculo interativo em que somos interpelados sobre as nossas convicções: o que é a Europa para cada um de nós? O que significa ser-se Europeu? Como encaramos os valores que a Europa diz defender ― a solidariedade, a cooperação, a democracia? Nascido de uma encomenda internacional da rede House on Fire, Europa em casa procura (re)construir a ideia da Europa da base para o topo, passando por centenas de casas de cidadãos de toda a Europa.

Mark Deputter

Europa Improvável é um projeto House on Fire com o apoio do Programa Cultura da União Europeia

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